Dia a Dia

Atravessamento de multiplicidades

Foto: Cristiano Prim
Foto: Cristiano Prim

Companhia criada em 2014, a Lápis de Seda tem dois trabalhos no seu repertório:
Convite ao Olhar
e
Será que É de Éter?

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Por Néri Pedroso

A conexão entre música ao vivo e dança contemporânea não é inovadora. No entanto, o procedimento híbrido que embaralha tempo-espaço, identidades, corpos e linguagens artísticas segue como potência propulsora de emoções e captura de consciência sobre a vida no mundo contemporâneo. Com essa proposição, a montagem Será que É de Éter? coloca no palco 17 profissionais, seis músicos, uma cantora e dez bailarinos integrantes da Companhia de Dança Lápis de Seda. No dia 12 de abril, no Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis (SC), o grupo faz duas apresentações gratuitas, às 15h, voltada para estudantes e instituições que atuam com projetos de inclusão, e às 20h.

Foto: Cristiano Prim

Deivid Velho e Paulo Soares, dois dos dez bailarinos do grupo dirigido por Ana Luiza Ciscato.

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O projeto de criação e circulação foi idealizado em 2016 por Ana Luiza Ciscato, diretora da Lápis de Seda, e a intérprete Cláudia Passos que valorizam o universo poético e musical de Chico Buarque de Holanda, o homenageado que ajuda a ampliar espectadores com relação ao trabalho da companhia que propõe reflexões sobre dança contemporânea, memória e diferença. O resultado da criação em torno do consagrado compositor surpreende a plateia pela beleza, profissionalismo e qualidade técnica do elenco. Em uma hora, entre outras canções, Cláudia Passos interpreta Valsinha, Baioque, Olê, Olá, Samba de um Grande Amor, Flor da Idade, Essa Moça, Meu Guri, As Vitrines, Rosa dos Ventos, Lola, Tanto Amar, Beatriz, Cotidiano, Último Blues, Tanto Mar. Música e dança em conexão   binária para provocar pensamentos sobre resiliência, vida e arte.

O elenco de 17 pessoas envolve Luiz Gustavo Zago, que faz a direção musical e se apresenta no piano, Iva Giracca, no violino, Felipe Arthur Moritz, com sax e flauta, Dudu Pimentel no violão e guitarra, Leandro Fortes no violão e bandolim, e Alexandre Damaria, na percussão. Sob a direção coreográfica de Ana Luiza Ciscato e a direção musical de Zago, intérprete, bailarinos e os cinco instrumentistas contam com um reforço emblemático, os conceitos “cênicos” da sound e light designer Hedra Rockenbach.

A intérprete Cláudia Passos, que também assina a direção artístico-musical da montagem, é carioca, mas escolheu Florianópolis para morar. Inserida no circuito musical de Santa Catarina, divide a agenda profissional entre o Rio de Janeiro e a capital catarinense.

Foto: Cristiano Prim

Ao dançar, Fabiana Marques transforma sua disciplina em força e beleza.

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O projeto Será que É de Éter? foi concretizado em 2017 com o incentivo do Ministério da Cultura via Lei Rouanet. Da estreia em Florianópolis, seguiu para Blumenau, no Teatro Carlos Gomes. Com ingressos gratuitos, no dia 12 de abril a realizadora Arte Movimenta tem o patrocínio da Prefeitura Municipal de Florianópolis por meio da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes através da Lei Municipal de Cultura de Florianópolis e o apoio cultural da Teltec, Jurerê Internacional, Fecoagro, Projeta Planejamento e Marketing. Conta ainda com o apoio do governo do Estado de Santa Catarina por intermédio da Fundação Catarinense de     Cultura (FCC) e da Involves.

Foto: Cristiano Prim

Refinamento musical: Zago (E), Leandro, Iva, Felipe, Eduardo e Alexandre.

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A companhia

Corpo, diferença, política de inclusão, independência artística e construção identitária são palavras-chave para a Companhia de Dança Lápis de Seda. Idealizada pelo Baobah Novas Formas de Inteligência em 2014, em Florianópolis, aposta na valorização das diferenças individuais.

 

Foto: Cristiano Prim.

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Sob a coordenação da diretora artística Ana Luiza Ciscato, Lápis de Seda reúne dez bailarinos com diferentes capacidades e formações. Jovens e adultos, 60% são considerados com deficiência intelectual e/ou motora e 40% sem deficiência. A faixa etária se situa entre 20 e 50 anos.

Com recursos obtidos por leis de incentivo à cultura, o grupo apresenta as coreografias Convite ao Olhar, já visto em sete cidades de Santa Catarina e cinco capitais brasileiras, e Será que É de Éter?, com circulação em Florianópolis e Blumenau (SC).

Cada integrante é parte fundamental do processo criativo, contribui a seu modo para a composição dos trabalhos. A direção aproveita as múltiplas experiências dos bailarinos que abrangem o balé clássico, a dança contemporânea, a afro, a técnica de danceability e o teatro.

A companhia faz apresentações em teatros, espaços fechados e ao ar livre. Busca ampliar as ressonâncias das ações pois também quer discutir a cidade, incorporar a tensão entre arte e vida, com representações que enfocam as relações existentes entre os espaços e os fluxos existenciais. A Arte Movimenta, realizadora do projeto legitimado pelo Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, coordena a Lápis de Seda. Instituição do terceiro setor, foca no desenvolvimento humano, comprometida com propostas coletivas de cunho criativo e concepção identificada com os princípios da economia criativa. Incentiva a arte desde 2005, sempre com temas comunitários e conteúdos capazes de provocar transformações socioculturais.

 

O elenco de Será que É de Éter? reúne os bailarinos Ana Flavia Piovezana, Aroldo Gaspar, Deivid Velho, Fabiana Marques, Gabriel Figueira, João Paulo Marques, Maura Marques, Paulo Soares, Ramon Noro, Roberta Oliveira e Silvia Gevaerd (bailarina estagiária). A banda conta com Luiz Gustavo Zago (piano), Iva Giracca (violino), Felipe Arthur Moritz (sax, flauta), Dudu Pimentel (violão e guitarra), Leandro Fortes (violão e bandolim) e Alexandre Damaria (percussão).

Saiba mais:http://www.lapisdeseda.com/ Face: Cia Lápis de Seda.