Dia a Dia

Dimitris Papaioannou e Alan Lucien Øyen inauguram nova fase no Tanztheater Wuppertal de Pina Bausch

Foto: Julian Mommert
Since she, de Dimitris Papaioannou, com Tanztheater Wuppertal de Pina Bausch.
Foto: Julian Mommert

Tanztheater Wuppertal em Since she, de Dimitris Papaioannou

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O dia 12 de maio de 2018 marca um novo ciclo histórico para a Tanztheater Wuppertal, a companhia criada por Pina Bausch em 1973. Nesta data, estreia Since she (ou New Piece I, como era chamado até pouco antes de chegar ao palco), do grego Dimitris Papaioannou. Trata-se do primeiro espetáculo em longo formato não concebido por Pina nos 45 anos de atividade da legendária companhia alemã.

A partir de 12 de maio, Since she ficará em cartaz durante uma semana no Teatro da Ópera de Wuppertal, seguindo depois para uma turnê mundial, que passa por Amsterdã, Atenas, Londres e Paris – cidades onde se situam instituições que participaram da coprodução do espetáculo (Théâtre de la Ville, La Villette, Sadler’s Wells, Holland Festival, Onassis Cultural Centre-Athens).

Neste novo ciclo está incluída mais uma estreia, em 2 de junho de 2018: New Piece II, do coreógrafo norueguês Alan Lucien Øyen – também uma coprodução, entre Théâtre de la Ville e Chaillot-Théâtre National de la Danse (Paris), Sadler’s Wells (Londres) e Norwegian National Ballet (Oslo).

Foto: Wilfried Krüger

Pina Bausch

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Até sua morte, em 2009, Pina Bausch criou 46 espetáculos, cuja maior parte continua no repertório que a Tanztheater Wuppertal apresenta atualmente – e continuará apresentando, pois é um patrimônio atemporal de obras-primas.

Hoje formado por 37 dançarinos de três diferentes gerações e 19 países, entre veteranos e novos integrantes, o elenco multicultural da Tahztheater Wuppertal trabalha atualmente sob a direção artística da dramaturga e produtora Adolphe Binder, que assumiu o cargo em maio de 2017, com a missão de desenvolver uma nova imagem para a companhia e realizar uma curadoria de novas criações. Nascida na Romênia em 1969, ela migrou para a Alemanha Ocidental em 1978 e em 1996 fixou residência em Berlim. Formada em letras, ciências políticas, filosofia e história, tem especial preferência por obras multi e transdisciplinares. É a quarta pessoa a assumir a direção da Tanztheater desde a morte de Pina Bausch e a única que não conviveu com a coreógrafa.

Foto: Julian Mommert

Tanztheater Wuppertal em Since she, de Dimitris Papaioannou

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Adolphe Binder diz que se associou ao legado de Pina com curiosidade e coragem. Ressalta que a obra magistral da coreógrafa continua sendo uma fonte de inspiração e força motriz para que novos caminhos sejam experimentados. E cita uma frase de Pina: “Às vezes só conseguimos esclarecer alguma coisa através do confronto com nós mesmos, através do que não sabemos”. Segundo Binder, a abordagem criativa da revolucionária coreógrafa exigia o rompimento com fronteiras estabelecidas e também avidez pelo conhecimento a respeito do que move as pessoas.

Foto: Julian Mommert

Since she, de Dimitris Papaioannou, com Tanztheater Wuppertal

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Sobre a escolha de Dimitris Papaioannou e Alan Lucien Øyen para criar novos espetáculos para a Tanztheater Wuppertal, Adolphe Binder afirma que ela queria artistas conectados com o DNA da companhia e com o espírito artístico de Bausch, sem necessariamente copiar o estilo da coreógrafa.

Em entrevista para Roslyn Sulcas, do jornal The New York Times, Binder ressaltou: “Eu queria criadores que não correspondessem ao sentido clássico dos coreógrafos e que pudessem explorar o que a dança-teatro significa no século 21. Procurei pessoas não vinculadas a um único gênero artístico, que estivessem envolvidas com outros gêneros, como pintura, cinema, teatro, filosofia”.

Dimitris Papaioannou, que em 2016 apresentou o espetáculo Still Life na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, é performer, diretor, figurinista, cenógrafo e iluminador. Nascido em Atenas em 1964, foi pintor e desenhista de história em quadrinhos antes de se firmar como artista cênico e coreógrafo. Em 1986 ele fundou a Edafos Dance Theatre, que teve forte influência nas artes cênicas da Grécia. Para esta companhia, que ficou em atividade até 2002, ele criou 17 produções. Em 2004, Papaioannou tornou-se conhecido mundialmente ao criar a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas.

Foto: Julian Mommert

Dimitris Papioannou em ensaio com Tanztheater Wuppertal

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Hoje Papaioannou é subsidiado por grandes teatros e instituições da Europa. Em 2017 ele criou The Great Tamer, sua primeira criação internacional coproduzida por organizações como o Festival d’Avignon, da França. Seu trabalho, que inclui desde peças intimistas até grandes espetáculos, costuma ser descrito como uma mistura de imagens oníricas e absurdas. Em suas produções, corpos humanos interagem com materiais brutos, que os transformam em seres híbridos e capazes de gerar ilusões óticas.

Assim como Dimitris Papaioannou, o norueguês Alan Lucien Øyen também é uma personalidade que chama atenção na cena internacional da dança. Na Noruega, é considerado um dos artistas mais empolgantes da atualidade. Coreógrafo, escritor e diretor de peças teatrais, ele começou a estudar balé aos 17 anos (hoje tem 40). Sua primeira coreografia estreou em 2004 – um solo sobre a superexposição à informação na sociedade contemporânea, baseado no ensaio Ecran Totale, de Jean Baudrillard.

Foto: Jim de Block

Alan Lucien Øyen em ensaio com Tanztheater Wuppertal

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Em 2006, Alan Lucien Øyen formou sua própria companhia com artistas convidados – um elenco multidisciplinar, com atores, dançarinos, escritores, cenógrafos. Hoje, além de artista residente do Teatro Nacional de Ópera e Balé da Noruega, ele realiza criações para companhias de diferentes países. Para a Gothenburg Opera Dance Company, da Suécia, criou Kodak, um de seus espetáculos mais aclamados.

No teatro, na dança ou na produção cinematográfica, o trabalho de Alan Lucien Øyen é conduzido por alta carga emocional e dramática. Sua linguagem coreográfica é complexa e tecnicamente desafiadora. Ele diz que sua inspiração vem do mundo que o rodeia – uma miríade de fontes, que inclui arte erudita e popular, assim como vivências subjetivas, sempre com a busca comum pela mais genuína expressão humana.

Para os extraordinários bailarinos da Tanztheater Wuppertal, a convivência com Dimitris Papaioannou e Alan Lucien Øyen é como uma página em branco, a ser preenchida nesta nova fase da companhia que, de agora em diante, se entrega ao desafio de absorver novas possibilidades e ao mesmo tempo cultivar o grandioso legado de Pina Bausch.

Foto: Meyer Originals

Tanztheater Wuppertal em Nefés, de Pina Bausch

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  O reencontro do público brasileiro com a Tanztheater Wuppertal acontecerá neste ano, entre 29 de novembro e 2 de dezembro, quando a companhia apresentará Nefés, espetáculo de Pina Bausch inspirado na Turquia, na Temporada de Dança de 2018 do Teatro Alfa.