Dia a Dia

Festival Visões Urbanas chega à 11ª edição com programação intensa em espaços públicos de São Paulo

Foto: Fabio Pazzini
Luis Arrieta em Fissura no Piche.

Durante nove dias em São Paulo e um dia em Santos, o festival concebido pela Cia. Artesãos do Corpo, sob a premissa de “dançar a rua, na rua, com a rua, para a rua, apesar da rua”, recheia espaços da cidade com criações coreográficas, oficinas, sessões de videodança e exposição.

O Visões Urbanas, festival internacional de dança em paisagens urbanas, chega em 2018 à sua 11ª edição reunindo, entre os dias 20 e 28 de abril, 16 companhias e artistas independentes – 13 nacionais, de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, e três vindos da Espanha, Moçambique e Itália – para uma intensa programação com 19 apresentações, cinco oficinas, duas mostras de videodança e uma exposição, acolhidas por nove espaços da cidade.

A programação acontecerá em: Casa das Rosas, Instituto Tomie Ohtake, Centro de Referência da Dança, Cine Olido,  Associação Lara Mara,  Parques Trianon e Mário Covas e Estação República do metrô, além do Cine Teatro Pandora – Ocupação Artística Canhoba, em Perus, que abriga o Visões Periféricas, no encerramento do festival, em São Paulo. Na tarde do dia 5, a Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos, recebe a extensão do Visões Urbanas para três apresentações finais.

Programação: 

20 de abril/2018, sexta-feira 

Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, Paraíso, São Paulo, SP)

Foto: Fabio Pazzini

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  18h: Luis Arrieta (São Paulo) – Fissura no Piche

“semeador urbano

gotejam dedos lágrimas de pedra

poluído o rio queima narinas

floresta fere de cimento e vidro

asfalto não sorbe orvalho e cuspe

terra amordaçada de chiclete negro rasga

cultura fissura e nasce rebelde

não!

rebelde não, desesperado

galho, folha, fiapo o grito

vomitado

do tempo pisado.”

Concepção, coreografia, figurino e interpretação: Luis Arrieta | Música: Sebastián Piana, Homero Manzi, Ariel Ramírez e Félix Luna

Duração: 20 minutos

 

18h30

Foto: Yoana Miguel

La Intrusa (Espanha)

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  La Intrusa (Espanha) – Sonora

“Sonora é o vento que viaja pelo deserto. Geralmente causa turbulência e aumenta a temperatura. Transfere partículas de poeira e areia das áreas desérticas.”

Direção: Virginia García e Damián Muñoz | Criação e performance: Virginia García e Damián Muñoz | Música: Jesús Diaz (Making Music in Silence) |Produção: Cane (N. Canela)

Duração: 15 minutos

 

19h

Foto: Divulgação

Rosa Mario (Moçambique)

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  Rosa Mario (Moçambique) – Conexão

“Mesmo parecendo que estamos isolados, que somos individualidades, estamos juntos. Quando rimos juntos, quando olhamos para a mesma direção ou objeto, quando escutamos uma música, quando dançamos ou vemos alguém dançar, quando algo nos inspira, quando aprendemos, quando ensinamos, quando estamos vivos…

Coisas e situações nos conectam a nós mesmos e a tudo que nos rodeia.”

Coreografia e Interpretação: Rosa Mário | Criação Musical: Antoine Belon

Duração: 30 minutos

 

19h30

Cia. Atacama (Itália) – Io-Lei-Me

Io-Lei-Me desvela as mudanças repentinas e contradições da alma humana – força e fragilidade, coragem e medo, como estados conectados e coexistentes.  Enquanto pesquisa performativa, investiga um estado de revelação espiritual no corpo heroico feminino, nu em sua exposição, sem pele ou defesas.

Coreografia e Direção: Patrizia Cavola, Ivan Turol | Intérprete: Valeria Loprieno | Voz gravada: Patricia Hartman | Musica Original: Epsilon Indi |

Figurino: Medea Labate | Produção: Cia. Atacama / Com o apoio de MIBACT – Ministério dei Beni e delle Attività Culturali e del Turismo – Dipartimento dello Spettacolo.

Duração: 20 minutos

 

21 de abril/2018, sábado

 

Parque Mário Covas (Av. Paulista, 1853, Bela Vista, São Paulo, SP)

 

11h

Rosa Mario (Moçambique) – Conexão (ver informações acima)

 

11h30

 Kanzelumuka / Nave Gris Cia. Cênica – Corredeira

Corredeira nasce da percepção das águas que correm para o mar e da relação do poder ancestral ligado às águas no corpo feminino. A corporeidade levada à cena tem sua origem nas tradições e saberes banto, em especial nas danças presentes das manifestações religiosas de matrizes africanas.  É também um exercício de reflexão em torno do corpo que pretende contar a pluralidade do indivíduo, dissipado e transformado na diáspora negro-brasileira. Corredeira é água que inunda o corpo e o faz mover em busca de espaços locados na memória ancestral.

Criadora-intérprete: Kanzelumuka | Colaboração artística e dramatúrgica: Murilo De Paula | Iluminação e operação de luz: Diogo Cardoso | Arte sonora: Vagner Cruz | Figurino: Éder Lopes | Produção e realização: Nave Gris Cia Cênica |

Duração: 30 minutos

 

12h

Foto: adretimage

Aline Correia (Macaé, RJ)

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  Aline Corrêa (Macaé, RJ) – Resistência

O solo questiona o corpo como objeto de resistência na dança e na vida. O corpo se transforma em um lugar cheio de cicatrizes, onde o passado persiste, apesar de um presente novo e surpreendente.

Intérprete-criadora: Aline Corrêa | Produção: Jacqueline de Castro

Classificação indicativa: livre

Duração: 20 minutos

 

Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropés, 88, Pinheiros, São Paulo, SP)

 

18h

Foto: Divulgação

Três em Cena (Goiânia)

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  Três em Cena (Goiânia, GO) – Desvios tático-estratégicos de trajetórias usuais para sobreviver à vida urbana

Escadarias das cidades se tornam palco. Com um repertório de movimentos das danças urbanas, os corpos dos intérpretes se fundem ao espaço público, com deslizamentos, encaixes e um gestual específico para dançar com e nas escadas.

Coreógrafos-intérpretes: Weuter Vieira (Jerry-X), Johnathans Paiva (bboy Black)  e Rafael Guarato | Dramaturgia: Margarida Amaral | Diretor: Rafael Guarato | Produção: Marcelo Santos

Duração: 30 minutos

 

18h30

Luis Arrieta (São Paulo) – Fissura no Piche (ver informações acima)

 

19h

Cia. Atacama (Itália) – Io-Lei-Me (ver informações acima)

 

19h30

Foto: Divulgação

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  Toshi Tanaka, Ciça Ohno e Gum Tanaka – Moc Ka Do – Fu Bu Myo In

Performance fugaku junto às cerâmicas de Shoko Suzuki. Moc ka do significa  madeira queimada, espírito do fogo e respiração da terra.

Intérpretes/Performers: Ciça Ohno, Gum Tanaka e Toshi Tanaka | Orientação corporal: Toshi Tanaka | Figurinos: Mariko Kaneko | Cerâmicas: Shoko Suzuki

Duração: 30 minutos

 

22 de abril/2018, domingo

Programação Urbaninhas no Parque Trianon (Av. Paulista – em frente ao MASP)

10h

TraMar Coletivo – TraMar entre traçados de sons e gestos

TraMar entre trançados de sons e gestos recupera uma brincadeira tradicional indígena – Ketinho Mitselü (cama de gato) – que cria formas a partir dos movimentos das mãos. Expandidos no espaço, os fios tecem relações e percursos na paisagem urbana, buscando formas de integração entre corpo, espaço e som.

Intérprete/artistas/facilitadoras: Célia Faustino, Lara Dau Vieira e Natalia Brescancini | Produção: Natalia Brescancini | Assitente de montagem: Erik Morais

Duração: 20 minutos

 

10h30

Caleidos Cia. de Dança – Travesso

Travesso é um cortejo coreográfico interativo, que dialoga com o público por meio de travessias e travessuras.

Direção: Isabel Marques e Fábio Brazil | Assistente de direção: Nigel Anderson | Colaboradores: Franco Salluzio, Jonatan Vasconcelos, Michel Queiroz.

Duração: 20 minutos

 

11h

Cia. Lagartixa na Janela (São Paulo) – Breves partituras para muitas calçadas

A performance dialoga com o espaço urbano, onde a calçada , território repleto de paisagens, objetos e modos de estar, é elemento de pesquisa da criação.

Direção Artística: Uxa Xavier | Performers: Aline Bonamin, Barbara Schil, Suzana Bayona, Tatiana Cotrim e Thais Ushirobira | Produção: Ação Cênica Produções Artísticas

Duração: 40 minutos

 

11h50

Núcleo Pé de Zamba – Glocalidades – Antropofagia nossa de cada dia

Espetáculo de dança brasileira contemporânea, Glocalidades é um encontro de dança e música ao vivo, trilhado a partir de um roteiro temático pré-estabelecido, que vai se construindo a partir da participação do público. Atrelada às raízes culturais brasileiras, a proposição traz familiaridade ao público que, na troca com os artistas, redescobre o movimento e descobre a dança contemporânea pelo viés de quem a experimenta.

Concepção e direção: Andrea Soares | Elenco: Andrea Soares, Raphael Gomes, Jô Pereira, Leandro Medina, Cristiano Cunha, Palomaris Mathias, Fávio Rubens e Cristiano Meirelles | Direção musical: Leandro Medina e Andrea Soares | Figurinos e elementos de cena: Andrea Soares | Confecção de figurinos: Maria Gomes | Preparação corporal: Andrea Soares | Preparação vocal: Cristiano Cunha e Leandro Medina | Realização: Núcleo Pé de Zamba

Duração: 40 minutos

 

Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, Paraíso, São Paulo, SP)

 

15h

La Intrusa (Espanha) – Sonora (ver informações acima)

 

15h30 e 16h30

Foto: Divulgação

Erika Kobayashi

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  Erika Kobayashi (São Paulo) – Chá em Performance

Uma performance, uma ação na cidade, um ritual. O que acontece quando se desloca uma cerimônia do chá de uma sala fechada para o mundo vivo? Interação corpo-cidade-pessoas-lugares-silêncio-ruídos do mundo. Convite para tomar um chá e degustar movimentos.

Intérprete/performer: Erika Kobayashi

Duração: 30 minutos

 

28 de abril/2018, sábado

Cine Teatro Pandora – Ocupação Artística Canhoba (Rua Canhoba, 299, Vila Fanton – próx. à caixa d’água), Perus, São Paulo, SP.

 

10h30

Cia. Lagartixa na Janela (São Paulo) – Breves partituras para muitas calçadas (ver informações acima)

 

11h30

Foto: Fabio Pazzini

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  Cia. Artesãos do Corpo (São Paulo) – Refúgio

Por meio de histórias e experiências compartilhadas na cidade de São Paulo, a intervenção Refúgio – ou como fixar raízes no concreto tenta dar voz, corpo e peso aos “estrangeiros”, que protagonizam possibilidades de enraizamento ao nutrirem ramificações afetivas capazes de desenhar novos territórios individuais e coletivos.

Direção: Mirtes Calheiros | Intérpretes: Dawn Fleming, Ederson Lopes , Elder Sereni, Fany Froberville, Gisele Ross, Leandro Antonio, Maira Yuri, Mirtes Calheiros E Rodrigo Caffer | Objetos cenográficos (sapatos-tijolos): Ederson Lopes | Trilha sonora: Diogo Soares | Sonoplastia: Marcelo Catelan | Vozes/Depoimentos: Misaki Niwa (Japão), Giovanni Pirelli (Itália), Hervé Huet De Froberville (França), Yazan Albe (Síria), Kathleen Kunath (Alemanha), Dawn Fleming (Inglaterra – Irlanda – Canadá), José Miguel Zandamela Mulima (Moçambique), Daniel Gamarra Astegui (Uruguai), Ynes Chiang (Taiwan)

Duração: 30 minutos

 

5 de maio/2018

 

Extensão – Santos (SP)

Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos, SP).

 

15h

Luis Arrieta – Fissura no piche (ver informações acima)

 

15h30

Toshi Tanaka e Ciça Ohno – Moc Ka Do (ver informações acima)

 

16h

Cia. Artesãos do CorpoRefúgio

 

Oficinas

Centro de Referência da Dança – CRDSP

(Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Centro, São Paulo – SP

23/4 (segunda-feira) – 10h às 13h 

O corpo falante | Dança-Teatro

Com Patrizia Cavola e Ivan Truol (Cia. Atacama – Itália)

24/4 (terça-feira) – 14h às 17h 

Encruzilhada Style – afro-diáspora | movimentos e criação

Com Douglas Iesus e Anelise Mayumi (Fragmento Urbano) 

25/4 (quarta-feira) – 10h às 13h 

Para além das palavras: Poéticas do Espaço Dinâmico

Com Maria Mommensohn

 

Instituto Tomie Ohtake

(Av. Brigadeiro Faria Lima, 201 – entrada pela Rua Coropés, 88).

26/4 (quinta-feira) – 10h às 12h 

Dança-Teatro | O silêncio do corpo

Com Mirtes Calheiros

 

27 de abril (sexta-feira) – 15h30 às 18h30 

Oficina Fugaku 2018 | Origem dos corpos

Com Toshi Tanaka

 

Mostra VideoDança SP

23/04 (segunda-feira) – 17h às 18h

Cine Olido (Av. São João, 473 – Centro – São Paulo – SP) 

25/04 (quarta-feira) – 14 às 15h30

Lara Mara Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência visual (Rua Conselheiro Brotero, 338 – Barra Funda – São Paulo – SP)

Mostra realizada anualmente através da parceria entre os festivais Visões Urbanas (São Paulo) e o InShadow (Lisboa), com os filmes vencedores da categoria internacional de vídeo-dança.

O InShadow destaca-se internacionalmente e assume um caminho inovador no cruzamento de áreas artísticas do corpo e da imagem.

 

Exposição

Metrô República – Centro – São Paulo, SP

A Cidade, A Dança, As Mulheres

As imagens registradas por Fabio Pazzini e Carol Cury, ao longo da história do Visões Urbanas, apresentam o protagonismo feminino em sua relação com a arquitetura da cidade e seu diálogo com a dança contemporânea. Mulheres que, nas dez edições anteriores do festival, dançaram a rua, com a rua, para a rua, apesar da rua.

A exposição permanece na Estação República durante todo o período do Festival.