Dia a Dia

GRUA (Gentlemen de Rua) estreia SETe nas ruas de São Paulo

Foto: Silvia Machado
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Em meio à movimentação da cidade, sete dançarinos misturam-se a transeuntes, gerando novas perceções no espaço urbano e na população que nele habita. Vestindo ternos escuros, os sete integrantes do GRUA (Gentlemen de Rua) ocupam as ruas desde 2002, com performances que procuram ressignificar as relações de cidadãos, na fugacidade de seus cotidianos.

Até 17 de agosto, quase diariamente, será possível cruzar com os Gentlemen de Rua em 14 diferentes locais de São Paulo, que incluem desde a avenida Paulista, a Praça da Liberdade e o Largo do Arouche, no centro, até o Largo da Batata em Pinheiros e a alameda Santo Amaro, na região sul da cidade.

Nestas 14 apresentações, o GRUA estará estreando sua nova criação: SETe, que evoca a percepção do outro, na experiência do encontro, expressando o comum entre todos. Corpos plurais, atentos às diferenças, lidam com afetos e vulnerabilidades, em um refinado jogo de percepção e cooperação entre cada um dos sete homens deste singular grupo de dança. A coreografia, antes gravada em um set de filmagem pelo cineasta Heitor Dhalia, se tornará um filme de dança que será lançado em breve.

Em cena, estão Jorge Garcia, Osmar Zampieri, Henrique Lima, Fernando Martins, Jerônimo Bittencourt, Roberto Alencar e Alexandre Magno. Todos os bailarinos seguem carreiras diversas na dança. Exemplos são Jorge Garcia, que dirige a Jorge Garcia Companhia de Dança; Fernando Martins, idealizador da Plataforma Shop Sui; Jerônimo Bittencourt, com experiência em Le Parkour e Alexandre Magno, bailarino português que desenvolve o “pow AKA Jazz Latin Fusion”, um exercício de dança que faz uma intersecção de vários estilos, como a umbigada, coco, kuduro, jazz e changatuki, entre outros.

Todos os integrantes do GRUA assinam direção e coreografia de SETe, cujos figurinos são do estilista João Pimenta.

SETe por sete

Foto: Silvia Machado

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SETe avança a linguagem artística do grupo GRUA, que há quinze anos circula no Brasil e no exterior com o espetáculo Corpos de Passagem. Na nova obra, sete bailarinos dançam guiados por orientações dramatúrgicas que dividem espaço com o improviso. “São atos poéticos que se relacionam com alguns experimentos que fizemos nos últimos meses”, diz Jorge Garcia, que além de dirigir, também integra a obra como bailarino. O trabalho discute o lugar da masculinidade nos dias de hoje. Corpos que começam enrijecidos vão ganhando sensibilidade a partir do toque. A libido e a sensualidade também ganham espaço sem resvalar em caricaturas. A roupa social como figurino cria uma relação imediata com os locais de apresentação por se tratar de uma vestimenta comum para ambientes urbanos. Dessa forma, os ternos pretos vão ganhando outros contextos a cada dia.

Jorge observa que as vivências realizadas pelo grupo no Rio São Francisco, em comunidades ribeirinhas na região de Belo Horizonte, foram decisivas para a criação da nova obra. “Em cinco dias de imersão a dramaturgia foi ficando mais evidente e descobrimos nuances que deveriam ser mais aprofundadas em SETe”, diz o coreógrafo.

Os ternos usados no novo trabalho ganharam a nova modelagem de João Pimenta, estilista e figurinista que também colaborou com o grupo em Corpos de Passagem. GRUA mantém como fundamentos as discussões sobre masculinidade e a relação da dança com a linguagem cinematográfica, daí a dualidade do nome GRUA, que se usa tanto como sigla para Gentlemen de Rua e também se refere ao equipamento cinematográfico que permite deslocamentos mais ágeis das câmeras.

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O título da obra também dá mais de uma possibilidade de leitura. SETe é o número de bailarinos em cena e também evoca o “set” de filmagem. “Em Corpos de Passagem a gravação da cena acontecia durante as performances. Em SETe, convidamos o cineasta Heitor Dhalia para trabalhar conosco, o que vai resultar no filme a ser lançado”, afirma Jorge. O olhar do cineasta serviu de apoio para que as cenas da performance se tornassem mais limpas e refinadas. Durante as apresentações haverá uma noção dramatúrgica de começo, desenvolvimento e fim que surgiram a partir encontros com Dhalia.

Encontros e referências gerais, como a poesia da escritora Hilda Hilst (1930-2004), tornam SETe um trabalho que cresceu a partir da escuta. Os bailarinos fizeram mostras de processo para artistas como a atriz Maria Alice Vergueiro e a ex-bailarina e pesquisadora de dança Ana Teixeira, de onde surgiram discussões sobre a obra e o lugar do machismo e da masculinidade nos corpos, bem como as formas de encará-los em cena. Jorge ressalta que o trabalho se propõe a questionar o machismo a partir da escuta de reivindicações contra essa prática, que se mostra tanto no plano mais objetivo, como também em comportamentos e hábitos que muitas vezes passam despercebidos.

O GRUA já se apresentou em diversas regiões do Brasil, como São Paulo, Minas Gerais e Ceará, e também em outros países, como Inglaterra (Londres), França (Paris) e Chile (Deserto de Atacama).

O trabalho foi contemplado pela 23ª Edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

Calendário de apresentações de SETe em São Paulo (SP) – grátis; 60 minutos; livre: 

31/julho/2018, terça-feira, 11h

Largo do Arouche, 27 – Centro

 

1/agosto/18, quarta-feira, 11h

Praça da Liberdade, 159 – Centro

 

7/agosto/18, terça-feira, 11h

Pátio do Colégio – Praça Pateo do Collegio, 2 – Centro

 

7/agosto/18, terça-feira, 16h

Catedral da Sé – Praça da Sé s/nº – Centro

 

8/agosto/18, quarta-feira, 11h

Parque da Juventude – Av. Cruzeiro do Sul, 2630 – Carandiru

 

9/agosto/18, quinta-feira, 13h

Rua Santo Afonso, 199 – Catedral da Penha

 

10/agosto/18, sexta-feira, 10h

Av. Paulista, 1578 – Bela Vista

 

11/agosto/18, sábado, 10h

Al. Santo Amaro, 180 – Metrô Largo Treze

 

13/agosto/18, segunda-feira, 17h

Praça Franklin Roosevelt, 276

 

14/agosto/18, terça-feira, 11h e 17h

Rua Formosa, s/nº – Praça Ramos

 

15/agosto/18, quarta-feira, 14h

Rua Martim Carrasco, 56 – Largo da Batata

 

15/agosto/18, quarta-feira, 19h

Ocupação 9 de Julho – Rua Álvaro de Carvalho, 427, Centro

 

16/agosto/18, quinta-feira, 16h

Rua Martim Carrasco, 56 – Largo da Batata

 

17/agosto/18, sexta-feira, 16h

Rua Prates, 93 – Parque da Luz