Dia a Dia

Itaú Cultural destaca ancestralidade em programação de dança

Foto: Pati Almeida

Durante seis dias, o Itaú Cultural apresenta uma programação de dança que discute o corpo entre o tradicional e o contemporâneo.

As apresentações têm em comum a ancestralidade. A programação, além de espetáculos e oficinas, inclui a exibição de documentário sobre Mercedes Batista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Resgates históricos

Foto: Rogério Alves

Orun Santana

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O tradicional, em sua ampla diversidade, se mistura e se transforma a partir do contato com a cidade, com as novas tendências da tecnologia e as mudanças dos comportamentos sociais. Neste sentido, as danças voltam-se também para o modo como os códigos desse universo se movimentam, se modernizam e atualizam outros contextos. Em sintonia com essa perspectiva, entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro de 2018, o Itaú Cultural apresenta, na sua programação cênica, trabalhos que discutem o corpo entre o tradicional e o contemporâneo. Os espetáculos trazem à tona a questão de que o corpo, para além de se fixar em único registro, precisa construir estratégias criativas, seja para investigar as possibilidades da linguagem ou para perpetuar suas tradições.

Considerando que as manifestações culturais são processos complexos que envolvem inúmeros diálogos dos universos simbólicos, pode-se dizer que a mestiçagem de diferentes matrizes corporais é o elemento constituinte para a criação das inúmeras danças brasileiras. No primeiro dia, 28 (terça-feira), às 14h, os três artistas que se apresentam sozinhos durante a programação e que ainda não trabalharam juntos, se encontram para ministrar a Oficina com Orun Santana, Bel Souza e Ana Beatriz Almeida.

Na quarta-feira, 29/8, às 20h, as apresentações começam com o bailarino pernambucano Orun Santana, em Meia-Noite com Orun Santana. Este solo é sobre a relação de Santana com a figura de Mestre Meia-Noite, seu pai e ganhador do Prêmio Itaú Cultural 30 Anos, no ano passado. É também sobre as relações desses corpos, a fim de conhecê-los, entendê-los e problematizá-los. Um diálogo que o intérprete estabelece entre os processos formativos artísticos do mestre e os seus próprios, abrindo questões sobre a relação do corpo e a memória – enquanto artistas, educadores, negros, periféricos – e uma janela para a relação desafiadora que é a de um pai e um filho nessa construção e compreensão de suas histórias.

A criação partiu da ideia de uma re-performance do solo de capoeira de Mestre Meia-Noite em Nordeste do Balé Popular do Recife. A pesquisa corporal explora a capoeira como elemento criador e motivador do movimento, construindo um procedimento de uso da memória física como elemento criador, dialogando dramaturgicamente na relação pai e filho, mestre e discípulo. São utilizadas dinâmicas que buscam construções de imagens e estados corporais como via de investigação em cena.

Foto: Acervo pessoal

Marianna Monteiro

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Também no dia 29/8, às 16h, é exibido o documentário Balé de pé no chão: a dança afro de Mercedes Baptista, das diretoras Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro. O filme aborda a trajetória da primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, abrangendo a origem da dança afro e a atuação da dançarina no Teatro Experimental do Negro – grupo formado por Abdias do Nascimento. Depois da sessão, as diretoras conversam com o público.

Da dança festeira e política ao butô

Foto: Pati Almeida

Looping: Bahia

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Mesclando festa, dança e política, os dançarinos Jai Bispo, Jaqueline Elesbão, Leonardo França, Rita Aquino e Talita Gomes sobem ao palco com Looping – Bahia Overdub, nos dias 30 e 31 (quinta e sexta-feira), às 20h. Com direção de Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino, a paisagem predominante no espetáculo são as festas do Largo de Salvador e suas contradições. Ele emerge do encontro entre pensamento sonoro e pensamento coreográfico. Looping constitui um estudo do tempo: repetição e acumulação. Movimentos de tensão e distensão da cultura, por meio de procedimentos que organizam sonoridades, corpos e espaços. Assim como nas ruas, o que está em jogo   são arranjos coletivos por meio de uma participação estético-política.

Também no dia 31, só que às 14h, o grupo promove oficina com práticas de sensibilização, expansão da escuta, laboratório de criação colaborativa, composição de movimentos e sonoridades.

Foto: Shai Andrade

Ana Beatriz Almeida

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 Sobre Sacrifício Ritual, com Ana Beatriz Almeida, trata-se de uma performance ritual construída a partir de uma imersão, de longa duração, tanto no movimento social de povos de matriz africana, quanto no processo seletivo de passistas da escola de samba Vai-Vai de 2016, ao qual a performer se submeteu. No dia 1 de setembro, sábado, às 20h, serão questionados a construção da identidade nacional, tendo o símbolo da passista em mente, e suas negociações entre a sociedade, o corpo da mulher negra, espiritualidade e o carnaval.

A obra é um exercício ético e estético produzido a partir do método corporal criado por Ana Beatriz após 11 anos de butô – dança que surgiu no Japão pós-guerra e ganhou o mundo na década de 1970 –, em parceria com as comunidades do Babá Egun e a Irmandade da Boa Morte. A performer mobiliza a corporeidade negra feminina estabelecida na dicotomia entre sujeito central na resistência e objeto dos mecanismos de manutenção sócios-culturais.

Bel Souza, no dia 2, domingo, às 19h, leva ao espaço do instituto o solo concebido em espaço sagrado de recolhimento do candomblé, o roncó. Odoyá foi inspirado pelo movimento da maré, em uma sensação de flutuar sem fim, com o corpo envolvido pelas águas que vem e vão. A figura central é a de Iemanjá e seus aspectos simbólicos, arquetípicos e sensoriais, questionando as fronteiras entre contemporâneo e ancestral, espetáculo e ritual, palco e plateia.

Agenda:

28 de agosto/2018 (terça-feira)

Às 14h:

Oficina com Orun Santana, Bel Souza e Ana Beatriz Almeida. Sala Multiuso. Duração: 180 minutos. 20 vagas – inscrições encerradas no dia 22 de agosto. Resultados disponíveis no dia 24, no site do instituto (www.itaucultural.org.br). Classificação indicativa: 16 anos. Interpretação em Libras. Entrada gratuita. 

29 de agosto/2018 (quarta-feira)

Às 16h:

Balé de pé no chão: a dança afro de Mercedes Baptista. Direção: Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro. Exibição de filme seguida de bate-papo. Sala Vermelha. 70 lugares. Duração: 120 minutos. Classificação indicativa: livre. Interpretação em Libras. Entrada gratuita. 

Foto: Danilo Galvão

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  Às 20h:

Meia-Noite com Orun Santana. Com Orun Santana. Sala Itaú Cultural. 224 lugares. Duração: 60 minutos. Classificação indicativa: livre. Interpretação em Libras. Entrada gratuita.

30 e 31 de agosto/2018 (quinta-feira e sexta-feira)

Às 20h:

Looping: Bahia Overdub. Direção: Felipe de Assis, Leonardo França, Rita Aquino. Sala Multiúso. 70 lugares. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Interpretação em Libras. Entrada gratuita.

31 de agosto/2018 (sexta-feira)

14h às 17h:

Oficina Looping: Bahia Overdub. Com Felipe de Assis, Leonardo França, Rita Aquino. Sala Multiúso. 20 lugares. Inscrições no site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br) entre os dias 24 e 26 de agosto. Os resultados serão divulgados no dia 28. Se o inscrito necessitar de algum recurso de acessibilidade, poderá solicitar no formulário. Classificação indicativa: 16 anos. Entrada Gratuita. 

1 de setembro/2018 (sábado)

Às 20h:

Sobre o Sacrifício Ritual. Com Ana Beatriz Almeida. Sala Multiúso. 70 lugares. Duração: 60 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Interpretação em Libras. Entrada gratuita.

Foto: Ruy Souza Filho

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  2 de setembro/2018 (domingo)

Às 19h:

Odoyá. Com Bel Souza. Sala Multiuso. 70 lugares. Duração: 32 minutos. Classificação indicativa: livre. Interpretação em Libras. Entrada gratuita.

 

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 1h antes do espetáculo (com direito a um acompanhante.

Público não preferencial: 1h antes do espetáculo (um ingresso por pessoa).

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108. Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural: 3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10. Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

 

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, São Paulo (SP), tel. (11) 2168-1776/1777). Estação de metrô: Brigadeiro

Acesso para pessoas com deficiência

Ar condicionado

www.itaucultural.org.br