Dia a Dia

Mostra de dança Modos de Existir, do Sesc Santo Amaro, realiza sua oitava edição

Foto: Clarice Lima
Supernada, de Clarice Lima.

O projeto Modos de Existir, que acontece no Sesc Santo Amaro desde 2012, realiza seu sétimo módulo em 2018. Concebido e coordenado por Marcos Villas Boas, programador de dança da unidade, sua proposta central é discutir as várias maneiras da dança existir e habitar o espaço cultural.

A edição deste ano – Dançando com Artistas-etc, 8º módulo do projeto – tem espetáculos, intervenções, oficina e debate sobre novas formas de produzir arte no Brasil, com grupos e artistas de seis estados brasileiros.

Artistas da dança que viabilizam seus trabalhos a partir de parcerias, festivais, residências e outros modos alternativos são destaques da edição. O Modos de Existir já se configurou como uma das mostras mais relevantes da dança em São Paulo.

Novos contextos

Em um cenário com menos políticas públicas de incentivo à cultura, os próprios artistas passaram a criar os meios de financiar seus trabalhos e dar visibilidade a outros grupos, criando assim novos contextos na arte.

Alguns fenômenos que surgiram a partir dessa realidade são as residências, festivais, mostas e encontros. Ricardo Basbaum, artista multimídia e professor, estudou esse comportamento e o conceituou como a prática do “artista-etc” em livro publicado em 2013 sobre o assunto (Manual do Artista-etc).

Ricardo Basbaum e os dois curadores de dança do Sesc Santo Amaro – Cláudia Muller e Marcos Villas Boas – criaram juntos a programação do 8º módulo do Modos de Existir, partindo do tema Dançando com Artistas-etc, com nove atividades programadas.

Segundo Marcos Villas Boas, uma das grandes preocupações do Modos de Existir é sair do eixo Rio-São Paulo e privilegiar iniciativas na dança em outros estados brasileiros. Nesta edição, além da programação composta por paulistas e cariocas, também foram convidados artistas do Rio Grande do Sul, Piauí, Minas Gerais e Paraná. “Selecionamos trabalhos a partir desses novos contextos, em que grupos abrem espaço para outros artistas em festivais, residências, trocas e seminários, por exemplo”, diz Villas Boas.

A mostra de 2018 abre com uma oficina gratuita de crítica oferecida pelo historiador, jornalista, mestre em educação e especialista em corpo e cultura Carlinhos Santos, do Rio Grande do Sul, que discutirá crítica de arte à luz do conceito artista-etc.

Foto: Divulgação

Chilli Pepper

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Também serão realizados dois talk shows mediados pela Bienal Dance Television (BDT). O primeiro chama-se Chili Peppers e propõe uma discussão sobre dança contemporânea com três artistas mulheres participantes do Modos de Existir. Já o Play BDT terá um formato lúdico, envolvendo jogos temáticos ligados ao corpo e à dança. O jogo terá, como competidores, os convidados do Modos de Existir. “O projeto se preocupa com a formação do público de dança, então os talk shows surgem da ideia de levar a discussão para um lugar mais performático e de envolvimento direto com a plateia”, observa Villas Boas.

Todos os espetáculos de dança desta edição foram criados em contextos colaborativos, seja por artistas que receberam grupos em seus espaços ou trabalhos viabilizados por parcerias.

De Teresina (PI), o coreógrafo Datan Izaká faz estreia paulistana do espetáculo E|N|T|R|E, em que dança ao lado de Janaína Lobo e Hellen Mesquita. A Cia Híbridus, de Ipatinga (Minas Gerais) apresenta o Solos Híbridus, composto por quatro solos de bailarinos da companhia. Também está na programação o primeiro trabalho dirigido pelo dramaturgista e coreógrafo Bruno Levorin, de São Paulo, chamado Aquilo que estamos fazendo e todos estão vendo. Os bailarinos Erivelto Viana, do Maranhão, e Ricardo Marinelli, do Paraná, encerram a mostra de espetáculos com Travesqueens, obra que provoca os limites estabelecidos entre masculino e feminino.

A intervenção Supernada, de Clarice Lima, de São Paulo, é direcionada para crianças e acontece no espaço de convivência do Sesc Santo Amaro. Outra intervenção programada para o Modos de Existir é a leitura de um roteiro coletivo elaborado por artistas da dança participantes do projeto. A conversa terá participação de Ricardo Basbaum, do Rio de Janeiro, o artista que nomeia com o seu conceito a temática atual do projeto.

Até agora, foram realizadas sete edições de Modos de Existir: Coletivos (2012), Parcerias e Colaborações (2013), Cias, Grupos e Núcleos (2014), Solos (2014), Intervenções (2015), Publicações (2016) e Dança e(m) Intermidialidades (2017).

 

Programação

        

Espetáculos

 E|N|T|R|E| Com Datán Izajá (PI)

23/agosto/18. Quinta, das 21h às 22h

Espaço das Artes | Livre | R$ 17,00, R$ 8,50 e R$ 5,10.

Foto: Victor Rodrigues

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  E|N|T|R|E é um projeto que propõe um ambiente sensorial e táctil habitado/dançado por três corpos. É uma criação que se dará no fluxo de “imagens como acontecimentos” a partir de ações simples. Uma obra aberta que se constrói num espaço com pouca luminosidade, criando uma proximidade com o público. Espaço preenchido por linhas suspensas, criando paisagens que se desprendem de um assunto para deslizar na instabilidade e surgir como uma “dança de imagens em fluxo no tempo”, num diálogo entre os artistas Datan Izaká, Janaína Lobo e Hellen Mesquita.

Solos Híbridus | Com Cia Híbridus (MG)

24/agosto/2018. Sexta, das 21h às 22h00

Teatro| 14 anos | R$ 17,00, R$ 8,50 e R$ 5,10.

Foto: Nilmar Lage

Cia Híbridus

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O espetáculo, criado em 2013, foi indicado ao 2º Prêmio Copasa Sinparc de Artes Cênicas em 2015. Trata-se de quatro solos, totalizando cerca de 80 minutos: Prumo, de Wenderson Godoi, que teve orientação de Marcelo Evelin de Teresina (PI); V de Tela, de Rosangela Sulidade, com direção de Dudude Hermann, de Belo Horizonte (MG); Re-forma, de Luciano Botelho, com a colaboração de Marco Paulo Rolla, de Belo Horizonte (MG) e Submersa, de Maria Cloenes, com direção de Marcos Nauer, do Rio de Janeiro (RJ).

Aquilo que estamos fazendo e todos estão vendo | Com Bruno Levorin (SP)

25/agosto/2018. Sábado, das 18h30 às 19h30

Espaço das Artes| 16 anos | R$ 17,00, R$ 8,50 e R$ 5,10.

Aquilo que estamos fazendo e todos estão vendo é o primeiro trabalho dirigido pelo dramaturgista e coreógrafo Bruno Levorin. Depois de anos trabalhando ao lado do coreógrafo Cristian Duarte e de outros artistas da cidade de São Paulo, em 2016, partindo do encontro com o artista visual Haroldo Saboia, surgiu o desejo de investigar práticas coreográficas que discutissem a relação entre gesto, nomeação e invocação. Aquilo que estamos fazendo e todos estão vendo é o início desse desejo, que continua em processo de escavação junto do Campo de pesquisa Dizer Fazer.

Travesqueens | Com Erivelto Viana (MA) e Ricardo Marinelli (PR)

25/agosto/2018. Sábado, das 20h30 às 21h30

Teatro| 16 anos | R$ 17,00, R$ 8,50 e R$ 5,10.

Foto: Marcio Vasconcelos

Travesqueens

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  Travesqueens é uma atitude que sublinha a performatividade de gênero e provoca os limites entre masculino e feminino. É um corpo-manifesto, que explicita a violência de morte que hoje está debaixo do tapete. Que vive e morre na calçada. Que opta pela margem transgressora e ri disso. É onírico e macabro. É belo e trágico. É a manifestação da ambiguidade que existe em todos nós. Aqui as travesqueens da vez são Cintia e Princesa.

 

Intervenções

Supernada | Com Clarice Lima (SP)

25/agosto/2018. Sábado, das 17h às 18h

Convivência | Livre | Grátis.

Intervenção coreográfica para crianças que acontece em espaços abertos. Este primeiro episódio terá a participação da princesa alface que foi devorada por um tubarão, da nota de vinte reais que sangra, do MM’s azul que caiu em um pote de farinha, da camponesa peluda que entrou na casa e se sujou de tinta, do monstro post it rosa e muito mais. Você viu o bicho goiaba virando pedra? Você um dinossauro andando de bicicleta? Você viu o monstro rosa fugindo do tubarão? Você viu uma banana andando? Você viu o supernada? Você viu o dragão popstar? Você viu uma camponesa vestida de homem? Você viu a lagosta que comeu o MM’s? Você viu uma casa com cabeça? Você viu a cabeça do leão? Você viu o dinheiro andando por aí? Você viu o chiclete usado? Direção, coreografia e criação: Clarice Lima. Elenco: Aline Bonamin, Ísis Andreatta, José Artur Campos, Manuela Aranguibel, Marcela Costa, Maurício Alves, Natália Mendonça, Patrícia Árabe, Rafaela Sahyoun e Vinícius Possal.

Conversas coletivas | Com Ricardo Basbaum (RJ)

25/agosto/2018. Sábado, das 19h30 às 20h30

Sala de Múltiplo Uso | 14 anos | Grátis.

Foto: Divulgação

Conversas Coletivas

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Para o evento Modos de Existir, será organizado um grupo de artistas da dança que trabalhará na elaboração de um roteiro coletivo, construído por todos os participantes. Ao final da oficina, o roteiro será apresentado a partir de uma leitura ao vivo, aberta ao público. Essa leitura será gravada, mixada e masterizada, com a produção de uma peça de áudio final disponibilizada no site do projeto Modos de Existir. As conversas coletivas são ações que procuram integrar a escrita do texto e sua emissão sonora, em proximidade com as camadas de discurso que atravessam a obra de arte contemporânea. Sempre em grupo, de forma multivocal, procurando atuar no campo de emissão rítmica da instalação e seus objetos e diagramas, sua dinâmica envolve o constante deslocamento entre fala, escrita e leitura. As vozes são tomadas em sua sonoridade direta, com diferenças de pronúncia, idioma, tonalidade etc., mas também em termos do que alguém pode ter a dizer ao outro ou ao grupo, a partir dos tópicos que estejam em discussão.

 

Oficina

Crítica-etc: Laboratório | Com Carlinhos Santos (RS)

23 e 24/agosto/2018. Quinta e sexta, das 14h às 18h

Espaço de Tecnologia e Artes | 16 anos| Grátis.

Partindo do conceito de artista-etc, a proposta é problematizar a ideia de crítica em dança entre artistas tendo como foco os trabalhos apresentados nesta edição do projeto Modos de Existir, promovendo cruzamentos entre o pensamento de quem produz uma obra coreográfica, com reflexões sobre estas produções feitas por estes mesmos artistas ou por seus pares. Carlinhos Santos é formado em História pela Universidade de Passo Fundo e Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. É especialista em Corpo e Cultura – Ensino e Educação, pela Universidade de Caxias do Sul, e mestre em Educação também pela UCS com a dissertação Corpo, Dança, Educação – Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul. Crítico de dança, foi titular de uma coluna de cultura no jornal Pioneiro, em Caxias do Sul (RS) durante 13 anos. Integrou o corpo docente do curso de Tecnologia em Dança da UCS (RS) e colaborou com site Idança. Em 2017, foi coordenador da Unidade de Dança e da Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul.

 

Talk Shows

BDT Dance Telivision: Chilli Peppers (SP) | Com Adriana Macul e Daniela Dini

23/agosto/2018. Quinta, das 19h30 às 20h30

Convivência | Livre | Grátis.
Adriana Macul e Daniela Dini debatem a dança contemporânea, junto a três artistas mulheres participantes da programação do projeto Modos de Existir.

BDT Dance Television: Play BDT (Games/Entretenimento) (SP) | Com Tarina Quelho

24/agosto/2018. Sexta, das 19h30 às 20h30

Convivência| Livre | Grátis.
Tarina Quelho conduz uma competição com os convidados do projeto Modos de Existir, a partir de jogos com a temática ligada ao corpo e à dança contemporânea.

 

Modos de Existir//Módulo 8: Dançando com Artistas-etc: 23 a 25 de agosto/2018. R$ 15 e R$ 7,50.

Sesc Santo Amaro: Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo (SP).

Estacionamento da unidade: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional (credencial plena); R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional (outros).

www.sescsp.org.br/santoamaro