Dia a Dia

Obrigado por vir, de Key Sawao, Ricardo Iazzetta, com elenco de 14 bailarinos:
A celebração do encontro, na recriação que assinala os 20 anos do grupo paulistano

Por Ana Francisca Ponzio(*)

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Cena de Obrigado por Vir

Em 2005, quando key zetta & cia. estreou Obrigado por vir no Panorama Sesi de Dança, os coreógrafos e bailarinos Key Sawao e Ricardo Iazzetta assinalavam um marco em suas trajetórias. Artistas importantes da cena paulistana, sempre em processo de evolução, naquele trabalho de 11 anos atrás eles passaram a criar efetivamente em grupo. Solistas super expressivos e com múltiplas possibilidades, dali em diante a dupla estendeu sua parceria ao coletivo de intérpretes, construindo um dos repertórios mais marcantes de São Paulo e do Brasil.

O Obrigado por vir de 2005 reunia cinco bailarinos, incluindo Key e Zetta (como Ricardo Iazzetta é comumente chamado). Nilson Muniz era um dos integrantes. Eduardo Fukushima, de volta na versão de 2017 que estreia neste 9 de fevereiro na Sala Olido, foi uma revelação. Marco Xavier, que também participa da atual remontagem, somava ao espetáculo a sua habitual expressividade cênica.

O singelo ato de agradecer, que move a obra, transformou-se em um espetáculo encantador, cujas generosidade e delicadeza estendiam-se naturalmente ao público.

Em 2012, também a convite do Panorama Sesi de Dança, key zetta & cia. remontou Obrigado por vir, que ressurgiu completamente renovado.

Agora, em 2017, Key Sawao e Ricardo Iazzetta retomam Obrigado por vir para comemorar seus prolíficos 20 anos de parceria. Com 14 bailarinos em cena, a atual montagem expressa uma celebração do encontro, a partir da diversidade, dos diferentes talentos, gerações e experiências dos integrantes do elenco.

No momento atual do país e da cidade de São Paulo, o Obrigado por vir de Key Sawao, Ricardo Iazzetta e seus 12 artistas da dança, também simboliza a resistência, o vigor e as conquistas da dança na capital paulistana – única cidade do país que, graças às reivindicações e lutas da própria classe de dança, conseguiu implantar uma lei de fomento que transformou profundamente a produção artística na área, hoje com uma intensidade histórica.

Na entrevista a seguir, Key Sawao e Ricardo Iazzetta falam de seu trabalho e de Obrigado por vir, em suas três versões.

Nesta celebração da dança que Obrigado por vir inspira e representa, o 12 bailarinos-criadores-intérpretes que acompanham Key e Zetta em mais esta realização, também se manifestam – cada um – sobre a experiência que este espetáculo proporciona. Acima de tudo, uma experiência do trabalho coletivo, que agrega diversidades. Amorosamente.

 

Obrigado por vir: quais os significados que este agradecimento, contido inclusive no título, adquiriram nas diferentes montagens deste trabalho?

Foto: André MenezesFoto: André Menezes

Key Sawao (primeira à esquerda) e Ricardo Iazzetta (sentado), em 2012, quando estreou a segunda versão de Obrigado por vir. Também estão na foto: Marina Massoli, Beatriz Sano, Théo (filho de Iazzetta, que hoje tem oito anos) e André Menezes.

Clique para ampliar

   Key Sawao e Ricardo Iazzetta – É sempre interessante observar como uma pluralidade de sentidos vai emergindo cada vez que pensamos, falamos, ensaiamos – enfim, no convívio que é também uma produção. Existe um território, que se dá a partir deste título e da ideia de um compartilhamento que permeia este trabalho. E também ver cada um falar sobre isso, nas conversas, nos vídeos/entrevistas que foram feitos, me faz pensar que essa pluralidade de sentidos é uma coisa viva e que, como uma espécie de paradoxo, pode ser adentrada por diversas “portas”, criando diversos horizontes a partir das singularidade de cada um que dança. Dessa forma, vão emergindo tonalidades, que nesse território de agradecimentos e singularidades, vão criando um campo comum de sentidos, variações. 

Qual a essência que permanece? E o que mudou/foi mudando?

Ricardo Iazzetta – O tesão no sentido da alegria, do aumento de potência que o encontro via dança extrai do acontecimento. Isto permanece, se renova, ao mesmo tempo em que muda, que mudamos, e ainda podemos amar essa diferença. 

Key Sawao (em resposta à primeira e segunda perguntas) – A primeira montagem, em 2005, aconteceu após uma residência artística na Oficina Cultural Oswald de Andrade, que tinha a proposta de experimentarmos possibilidades durante alguns meses e concluir com uma finalização daquele período. Ao final, descobrimos o título. Acho que vimos que o trabalho mexia com depoimentos, que iam e vinham no tempo, misturava passado e memórias, com muitas constatações do e sobre estar presente, e sugeria um porvir eterno.

Acho que na recriação este encontro de tempos permanece, e é um dos significados deste agradecimento.

Ter um corpo, estar vivo e então criar a todo momento este corpo.

Tem uma frase no texto do André Menezes, que dançou e trabalhou na trilha musical da versão de 2012, que pra mim resume muita coisa. Vem de um texto longo, mas termina assim: “Sou grato ao caos e ao fim, pois sei que a vida vem antes e continua depois sem mim. Obrigado por vir”.

Para mim essa é uma essência que permanece e dá sentido.

O que mudou foi a maneira de encenar, de criar durante o processo. Na primeira versão a voz e a palavra tinham outro espaço, as cenas aconteciam e eram guiadas por muitos depoimentos. Na recriação tudo foi sintetizado. Ou, tudo é sintetizado no corpo ao mesmo tempo. É o que falamos sobre a atualização do movimento, dar a possibilidade de nos colocarmos em fluxo, deixando as camadas de tempo se encontrarem e irem criando movimento.

Foto: Cris LyraFoto: Cris Lyra

Key Sawao e Ricardo Iazzetta em Projeto Propulsão / o que faz viver - Seguinte

Clique para ampliar

  Este trabalho foi escolhido e remontado para a comemoração dos 20 anos de key zetta & cia. em 2017. Por quê? O que Obrigado por vir representa na trajetória de vocês e o que este trabalho significa hoje, no mundo de hoje?

Ricardo Iazzetta – Este trabalho foi escolhido, junto com uma nova criação ainda por vir, neste ano que completamos 20 anos de parceria, acho que por ter sido o primeiro trabalho de grupo, o que é uma alegria – poder trabalhar em grupo, porque ele veio sendo chamado a existir outras vezes nesses anos, porque muita gente participou dele, porque trocar com toda essa gente é uma essência do nosso gosto por criar e continuar criando, porque ele é um território possível para reunir. É o agenciamento de um modo de agradecer, de um horizonte de existir. Porque é simples.

Key Sawao – Esta “versão” – estamos chamando de versão, pois é a “mesma” encenação de Obrigado por vir  de 2012, agora com 14 pessoas e algumas pequenas mudanças ou adaptações, faz parte do Projeto HORIZONTE (20).

Neste projeto acontece também a circulação do Para Todos os Seguintes (infantil para todas as idades), uma nova criação e suas ações (O RISO), previstas para outubro, e um vídeo documentário que também deve ficar pronto até outubro, cujo material já filmado gerou os teasers que veiculamos agora.

A proposta de estar em cena com o Obrigado por vir e estes convidados veio muito forte, neste projeto que marca os 20 anos de parceria artística da gente.

Nós já tínhamos a vontade de fazer um Obrigado por vir com muitas pessoas, principalmente com as que já haviam dançado conosco, pelo que disse antes, e porque esse trabalho é um grande agradecimento mesmo – ao que veio, foi e virá, e faz sentido e acho que ganha força com mais pessoas, e principalmente com estas pessoas.

Acho que o Obrigado por vir também celebra e afirma o corpo vivo, em movimento, os encontros e os tempos. Quando começamos a pensar no projeto, achamos que era o momento de realizar essa ideia e vontade.

Foi uma alegria que todos puderam estar no projeto, podendo unir agendas!

E buscamos criar uma dinâmica de encontros por um período, em que partilhamos propostas, também procurando atualizar na prática o momento de pesquisa artística de cada um.

Obrigado por vir foi “oficialmente” nosso primeiro trabalho com  mais pessoas, em 2005. Foi após esta experiência que começamos a trabalhar mais em grupo.

Acho que o Obrigado por vir na versão atual possibilita que aconteçam, ao mesmo tempo, a reunião, o encontro, o grupo, a singularidade e o comum a todos.

Acho que por ser um trabalho que trata da atualização do movimento,  pode ser dançado sempre, é sempre o agora misturado com outros tempos.

Foto: Gil GrossiFoto: Gil Grossi

Key Sawao e Ricardo Iazzetta em A pé - Walking The Line

Clique para ampliar

  Na estreia, em 2005, e também na recriação, em 2012, eram cinco intérpretes. Hoje são 14. Ou seja, quase três vezes mais. Por quê? Do elenco de 2005 temos agora os retornos de Eduardo Fukushima e Marco Xavier. Da releitura de 2012 temos Beatriz Sano e Marina Massolli. Para vocês, Key Sawao e Ricardo Iazzetta, que participam em cena deste o começo, o que estes encontros e reencontros significam?

Key Sawao e Ricardo Iazzetta – O Obrigado por vir de 2017 demandou três vezes mais coração para conseguir lidar com tanta alegria. 

Desde a estreia, versão original ou na recriação de 2012, dançamos o Obrigado por vir com cinco pessoas. Mas, como disse anteriormente, percebemos que poderia ser dançado por mais pessoas e, mais que isso, que poderia ser uma experiência muito interessante dançar um “obrigado” com muita gente. Às vezes eu imaginava um pátio imenso cheio de gente, dançarinos, não dançarinos, pessoas de todas as idades dançando o Obrigado. E também tínhamos a ideia e vontade de chamar as pessoas que já tinham dançado conosco para uma versão de “Obrigadão”.

Então chamamos estas pessoas que, além de terem participado do grupo, ou de criações anteriores, de alguma forma, mais ou menos, continuaram em contato, ou trocando, ou colaborando, ou acompanhando.

Então, da montagem original, tem o Marco Xavier e o Eduardo Fukushima. O Marcão conhecíamos desde a Cia. Tamanduá de Dança Teatro, que fez várias colaborações musicais comigo e chamamos para participar da residência na Oswald. O Dú apareceu para fazer o workshop durante esta residência e nós o convidamos para acompanhar o processo e logo ele já estava na criação. Depois o Dú participou de Permitido sair e entrar, de 2006, e na sequência de um projeto para artistas novos que realizamos em 2008, o 10 solos e reverberações e em 2010 eu fui orientadora do solo dele em Como superar o grande cansaço.

Na recriação de Obrigado por vir, em 2012, convidamos a Marina Massoli, a Beatriz Sano e o André Menezes.

Mas, como apresentamos este Obrigado por vir  muitas vezes durante este tempo, outras pessoas foram participando: Florez, que dança no grupo desde 2015, e Rafael, que estagiou em 2014, esteve no núcleo do grupo até 2015 e até hoje dança algumas peças, como no revezamento de nosso espetáculo para crianças, Para Todos os Seguintes.

A Renata dançou o Permitido sair e entrar, em 2006.

Carol Minozzi faz parte do núcleo atual desde 2014.

O Allyson não chegou a estar em cena conosco, mas participou de grande parte do processo de criação de Projeto Propulsão/o que faz viver em 2011/2012, quando estava chegando do Rio de Janeiro.

Bia, Júlia e Eliana dançaram no grupo por anos e anos.

O novo nesta montagem é o Cássio, que é ator com forte interesse na dança, que já vinha acompanhando os ensaios e encontros desta versão, e que com a ausência do André Menezes, que tinha uma viagem inadiável neste período, entrou para substituí-lo.

Foto: Gil GrossiFoto: Gil Grossi

Ricardo Iazzetta

Clique para ampliar

  A estreia de Obrigado por vir foi precedida de uma série de teasers em forma de vídeo, que vocês veicularam no Facebook. Em um destes vídeos, filmados por André Menezes, Ricardo Iazzetta fala que esta montagem de 2017 não é uma releitura histórica, mas uma mistura de tempos. O que é esta mistura hoje? O que ela contém do trabalho inicial, o que se preservou, o que se transformou?

Ricardo Iazzetta – Acho que o André Menezes perguntou ou lançou uma provocação sobre um caráter histórico dessa montagem de 2017. Eu respondi fazendo esse aparte, de que não sinto e não escolho olhar para as coisas dessa forma, acho que um pouco influenciado pela ideia de Nietzsche, quando ele usa a imagem do olhar de caranguejo, que fica olhando pra trás. Claro que o caráter histórico das coisas é importante, mas prefiro pensar nesse reencontro como uma mistura de tempos, como os movimentos vivos da memória no tempo, que nesse trabalho encontram um agenciamento para poderem se atualizar nos corpos, na criação de corpo, na espessura das presenças, frutos de um percurso de cada um para chegar nesse encontro do atual Obrigado por vir.

Como esse trabalho se modificou em cada uma das oportunidades que ele teve para acontecer, em cada uma ele variou, mudou, e acho que o que se mantém do inicial, além de alguns elementos e sentidos cênicos, é o tesão, a alegria de compartilhar relações entre vida, tempo e a potência de se mover.

Nas entrevistas mais recentes, Ricardo Iazzetta fala que o trabalho da companhia está mais focado no movimento (como condutor e estruturador do espetáculo). Correto? (ou não?). Esta postura vale para o novo ‘Obrigado por vir’?

Ricardo Iazzetta – Acho que quando sinalizei esse aspecto, quis dizer que algo sobre a ideia/conceito de que movimento cria corpo, foi ficando mais consciente para nós, na medida em que nossa produção foi acontecendo, e que nossa pesquisa foi se dando no tempo. E esse sentido, de criação de corpo, foi se tornando cada vez mais importante, de um modo geral, na maneira como vamos pensando criação e dramaturgia. 

O novo Obrigado por vir tem ligação com a primeira versão dele, criado a partir de uma curadoria sua [Ana Francisca Ponzio]. Já tínhamos feito algumas experiências em alguns contextos, mas esse foi de fato nosso primeiro trabalho com grupo, com outras pessoas… Eu acho que sim, que esse conceito vale sim para o novo Obrigado. Tem uma grande criação de corpo acontecendo – e de um modo alegre. É meu ponto de vista.

Foto: Gil GrossiFoto: Gil Grossi

Key Sawao e Ricardo Iazzetta em A pé - Walking The Line

Clique para ampliar

  Entre 20 anos atrás até hoje: quais foram os pontos principais da trajetória de vocês como parceiros artísticos? O que se transformou? Da década de 1990 até hoje: o que mudou na produção de dança na cena paulistana? Hoje está mais fácil? Qual o grande desafio daquela época e qual é o desafio de hoje?

Key Sawao e Ricardo Iazzetta – Tem uma parte do “hoje” que está tão absurda, essa onda neo não sei bem o que – prefiro não dar nomes para evitar capturas, cinismos ou retóricas truculentas – enfim, como ia dizendo, no hoje de hoje tem algo de tão absurdo, tão farsesco, que fica difícil comparar. Cada época traz um desafio, antes era fazer acontecer, hoje é continuar acontecendo. Mas quero deixar assinalar todo meu respeito pela luta do movimento da dança, que conseguiu criar a lei que resultou no Programa Municipal de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, pois através dela conseguimos, ao menos até hoje, produzir corpo, pensamento, pesquisa, acontecimento, na forma de produção, criação e difusão de conhecimento e arte, entre tantas outras coisas imateriais e no entanto cheias de realidade. É uma prática absurdamente fina de uma micropolítica praticamente invisível, com multiplicidades, afirmações e vidas em ato, em acontecimento, que impacta muita gente.

 

Todos os 12

Em ordem alfabética, os bailarinos que, junto com Key Sawao e Ricardo Iazzetta, integram o elenco do Obrigado por vir de 2017, expressam suas percepções sobre o trabalho, seus agradecimentos, e contam o que faziam em 2005, quando estreou a primeira versão do espetáculo. Dos 12, os que participaram da primeira montagem são Eduardo Fukushima e Marco Xavier.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Allyson Amaral

Clique para ampliar

  Allyson Amaral

(de Brasília, DF)

“O ‘Obrigadão’ é um trabalho de agradecimento, que me atualiza a cada instante que meu corpo se move, quando todos nós, os 14, nos encontramos. Tem uma presença coletiva que me atravessa o tempo inteiro, dançando, comendo juntos, conversando e trocando ideias, antes e depois de cada encontro nosso. É um movimento muito especial poder fazer parte desta passagem do Horizonte (20) da key zetta & cia. Feliz por estar reunido com esta galera.

Em 2005, Allyson Amaral tinha acabado de sair de casa e estava voltando para o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, para morar só. “Fazia dois anos que dançava na Lia Rodrigues Cia. de Danças e estudava na Faculdade Angel Vianna. No grupo de Lia, estávamos envolvidos em dois processos de criação: os espetáculos Encarnado e Hymnen, com música de Stockhausen, que foi concebido para o Ballet de Lorraine, da cidade de Nancy, na França”.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Clique para ampliar

  Beatriz Sano

(de Santos, SP)

“Para mim, este Obrigado por vir é o agradecimento do agora pela convivência em processo, com essas 14 pessoas que se envolveram, de alguma forma, na trajetória da Key e do Zetta. Acho que é um momento muito especial juntar essa galera para simplesmente estarmos dançando juntos. Por isso, este Obrigado por vir é uma celebração daqueles que já se cruzaram, dos lugares por onde passamos, dos grandes encontros, daqueles que já partiram, dos objetos e maquinários que nos ajudam a viver. Estar em Obrigado por vir é redimensionar a vida, pulsando e revitalizando-a. Estou no grupo de Key e Zetta há oito anos e fico imensamente grata por tê-los encontrado em minha vida. São artistas-amigos, com os quais estou sempre aprendendo, que se debruçam incessantemente nessa matéria-mistério que é o corpo. Me fizeram descobrir a dimensão da dança. Lembro muito claramente dos primeiros encontros que tive com eles. Depois de um ensaio, me pediram para ficar na sala porque queriam me ver dançando um pouco mais. Dancei muito e, no final, eu e Key chorávamos. Saí do ensaio com uma sensação de prazer imenso, algo muito forte, como uma embriaguez, um êxtase de um momento em que a dança coincidia com a vida. Aquilo era e continua sendo um sentido de vida pra mim. Uma afirmação. Sim, obrigada.”

Em 2005, Beatriz Sano estava saindo da cidade onde morava, São José do Rio Preto (SP), para estudar em Campinas, na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Ela participou da remontagem de Obrigado por vir, em 2012.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Clique para ampliar

  Carolina Minozzi

(de São Paulo, SP)

“Sinto a experiência do Obrigado por vir como uma celebração do encontro. Uma dança do estar junto. Uma oportunidade de sentir os tempos se misturando, passado-presente-futuro. Uma oportunidade de depor aos meus, de atualizar a dança no hoje, um reconhecimento da vida em movimento, que me faz ter desejo de seguir. Um agradecimento à Key e ao Zetta. Experiência de movimentar intimidades juntos e tudo virar um mesmo ar. Uma pergunta que tem me vindo: até onde uma vida reverbera?”.

Em 2005, Carolina Minozzi estudava balé clássico em Mairiporã, cidade onde cresceu. “Me preparava para o vestibular da Unicamp, onde ingressei em 2006”.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Clique para ampliar

  Cássio Inácio Bignardi

(de São José do Rio Preto, SP)

“key zetta & cia. estão em meu imaginário mais remoto. Os espetáculos deles são uma condensação muito poética do cotidiano de quem vive em São Paulo. Isto me co-MOVE. Me aproximei da companhia no ano passado, sou o que acabou de chegar. Mergulho profundo. Agradeço por você ter acendido a primeira fagulha desse Obrigado por vir, que tanto tem me ensinado.”

Em 2005, Cassio Inacio estudava na Escola de Arte Dramática da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Fazia aulas de dança com Silvia Bittencourt e Ana Maria Spyer – “e tantos outros mestres das artes dramáticas”.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Clique para ampliar

  Eduardo Fukushima

(de São Paulo, SP)

“Eu era muito novo quando participei de Obrigado por vir, em 2005. Me arrepiava, me emocionava em cena. Era um exercício da ação do agradecer através de gestos, ações, palavras. Obrigado por vir 2017 é um voltar a agradecer mais, comemorar mais, estar e dançar juntos. Dança como nossa mais preciosa maneira de resistir, lutar e se encontrar.”

Eduardo Fukushima participou do primeiro Obrigado por vir, em 2005.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Clique para ampliar

  Eliana de Santana

(de São Paulo, SP)

“Estar novamente compartilhando com o núcleo key zetta e cia. e mais 13 bailarinos, é para mim uma experiência singular. Nesta atual conjuntura política, quando prevalece o indivíduo, Obrigado por vir ultrapassa a linha do politicamente correto e nos dá a dimensão da importância do estar junto. Dançar junto, pensar junto. Obrigado por vir: dançar este tema sem adereços é agradecer pelo outro, dançar com o outro, numa celebração do corpo, em uma espécie de comunhão.”

Em 2005, Eliana de Santana estava em processo de pesquisa para sua criação da época: Francisca da Silva de Oliveira – Xica da Silva: Um Esboço, que ganhou o Prêmio Funarte de Dança Klauss Viana 2005/2006.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Júlia Rocha

Clique para ampliar

  Júlia Rocha

(de São Paulo, SP)

“O que aparece mais de frente pra mim, neste momento-agora, dançando Obrigado por vir, é o tempo. Esta remontagem-celebração tem afirmado o tempo em movimento. Não tem nada parado, nada que seja duro e eterno. As coisas estão em movimento. Sempre. E os encontros também. É sobre isso, sobretudo: o encontro”.

Em 2005, Júlia Rocha estava fazendo vestibular. “Entrei na Unicamp em 2007. Fiz um semestre e depois me transferi para a PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, para ingressar no curso de Artes do Corpo. Eu e Du [Eduardo Fukushima] nos formamos juntos”.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Clique para ampliar

  Marco Xavier

(de São Paulo, SP)

“Para mim, a primeira montagem de Obrigado por vir tinha um pouco a novidade da linguagem da companhia de Key e Zetta. Tinha um tom poético de depoimentos. Agora, estes depoimentos estão mais fisicalizados. Somos 14 bailarinos, cada um dançando à sua maneira e, através desta diversidade, estamos construindo não exatamente uma unidade, mas um corpo coletivo harmônico”.

Marco Xavier participou da primeira montagem de Obrigado por vir, em 2005.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Marina Massoli

Clique para ampliar

  Marina Massoli

(de Santa Rita do Passa Quatro, SP)

Obrigado por vir é sobre o ato de agredecer, resistir, numa atualização constante realizada no momento presente. Traz à tona memórias, fatos, pessoas, lugares, anseios por vir… Uma benção poder dançar toda essa vida que segue, num fluxo que transcende o espaço-tempo. Sou muito grata a Key Sawao e Ricardo Iazzetta por tudo tanto, tantos ensinamentos, tanta inspiração. Tive o prazer de estar na montagem de 2012 e agora, nesta super especial de 2017, com 14 bailarinos dançando esta potência do existir. Só agradeço”.

Em 2005, Marina Massoli dançava na Cia. Corpos Nômades, de João Andreazzi, que na época estreava o espetáculo Algum lugar fora do mundo, no Centro Cultural São Paulo.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Mauricio Florez

Clique para ampliar

  Mauricio Florez

(de Medellín, Colômbia)

“Obrigado por vir foi um dos primeiros espetáculos de dança que assisti quando vim morar em São Paulo. Também era a primeira vez que assistia à key zetta & cia. Foi amor à primeira vista. Dali em diante, continuei assistindo a todas as produções deles. Procurava vídeos na internet para saber mais sobre o trabalho deles, até que no fim de 2014 fiz audição para o projeto SIM, do qual tive a honra de participar e estou no grupo até agora. Obrigado por vir é emoção pura, é uma celebração pelo fato de existir e se sentir vivo. É uma oportunidade de me relacionar através do movimento com o espírito infantil e revolucionário de cada um dos meus parceiros. É um combate individual e coletivo com o próprio corpo. É um grito e ao mesmo tempo uma carícia. É um encontro com a juventude de cada idade. É um pretexto para sair de casa e brincar de ser bailarino. É um ponto onde confluem 14 experiências de vida carregadas de uma poderosa singularidade. É um mergulho cálido e prazeroso no espaço. É uma tentativa de ser totalmente livre. É uma comemoração pelo fato de ter uma profissão que evoca o tempo. É uma dança que reverbera no universo. É um encontro cheio de amor e generosidade. Não sei como cheguei a parar neste grupo lindo de pessoas, mas este mistério pela vida e os lugares onde ela nos põe é o que motiva minha dança hoje, em Obrigado por vir.

Em 2005, Mauricio Florez tinha 18 anos, estudava administração de empresas e dançava num grupo de dança tradicional de Medellín, na Colômbia. “No ano seguinte deixei o curso de administração e entrei na faculdade de artes cênicas, onde me formei como licenciado em dança”.

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Rafael Anacleto

Clique para ampliar

  Rafael Anacleto

(de São Paulo, SP)

Obrigado por vir me vem como um movimento duplo, uma ida e volta, onde há um retorno de forças em mim, ao mesmo tempo em que eu me sinto agradecendo. É um acontecimento que está no espaço, em diversos tempos e nas pessoas que estão comigo, antes ou depois de mim. Por este encontro eu agradeço.”

Em 2005, Rafael Anacleto tinha 15 anos. “Estudava no ensino médio, na zona leste de São Paulo, e ainda não tinha a dança comigo. Dois anos depois, comecei a experimentar o movimento e key zetta & cia. foi um dos primeiros grupos de dança que vi. As reverberações e o prazer deste encontro se fazem presentes até hoje, quando danço e vivo os movimentos de Obrigado por vir.”

 

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Renata Aspesi

Clique para ampliar

  Renata Aspesi

(de São Paulo, SP)

“Pra mim, Obrigado por vir significa um reconhecimento da passagem do tempo e a alegria de ter o caminho entrelaçado com o de todos os artistas que estão dançando juntos, especialmente Key e Zetta, que nos proporcionam este encontro. É um modo de dirigir o olhar para nossa passagem aqui neste mundo e agradecer por podermos dançar esta nossa existência. Este trabalho traz um olhar sobre a vida, a morte, os antepassados e os companheiros do agora. Mas tudo com muita leveza e delicadeza. Esta delicadeza é o que busco trazer para minha dança, assim como um olhar que sai do eu e busca o outro. Dançar Obrigado por vir me traz uma felicidade e um amor tão palpáveis! E acho lindo isso: dançar um obrigado. Dançar a vida e o tempo…”

Em 2005, Renata Aspesi estava grávida. “Tinha acabado de deixar a companhia de dança do Sandro Borelli, onde fazia um trabalho que adorava, mas sentia que precisava de um pouco mais de luz na minha dança, queria deixar de transitar no universo mais sombrio que o Borelli propunha. Vi esta claridade na dança da Key e do Zetta e fui atraída por ela igual mariposa… Agora, em Obrigado por vir, esta luz está refletida em todos os 14 corpos que dançam lado a lado. Sinceramente, está sendo uma daquelas experiências incríveis que a vida nos traz… Sou grata de verdade.”

 

(*) Ana Francisca Ponzio, editora do portal Conectedance, era curadora do Panorama Sesi de Dança em 2005, quando key zetta & cia. estreou Obrigado por vir no evento. Em 2012, também na curadoria do Panorama Sesi de Dança, convidou novamente Key Sawao, Ricardo Iazzetta e elenco para a remontagem de Obrigado por vir, que resultou em uma recriação da obra. Em 2017, como espectadora, renova o prazer de ver esta companhia em cena, com mais uma versão deste trabalho. Obrigado, Key, Zetta e companhia!

 

Serviço:

Obrigado por vir

9 a 19 de fevereiro/2017

Quinta a domingo, 19h

Sala Olido/Galeria Olido (av. São João, 473, Centro, São Paulo, SP, tel. 11/3331-8399). Estações de metrô: República, Anhangabaú, São Bento.

Grátis