Dia a Dia

Tem dança no Mirada 2018

Foto: Sergio Gozález Álvarez
La Ciudad de los Otros, com Sankofa

Realizado pelo Sesc de São Paulo, o Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas chega à sua quinta edição em 2018 com criações de dança em sua programação.

Sempre em anos pares, o Mirada, evento eminentemente voltado para o teatro, se alterna com a Bienal Sesc de Dança (em anos ímpares). Cruzamentos sempre ocorrem entre as duas mostras e em 2018 a dança está mais presente no Mirada.

Foto: Carlos Mario Lema

L'Explose

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Na programação deste ano, o Mirada homenageia a Colômbia, com nove espetáculos inéditos no Brasil. Três deles são de dança: La Ciudad de los otros, do Sankofa – Corporación Cultural Afro Colombiana, fundado em 1997 por Rafael Palacios; La Miel es más Dulce que la Sangre, da companhia L’Explose, fundada em 1991 por Tino Fernández e Súper Tejido Limbo, da Compañía Maldita Danza, grupo mais jovem no panorama cênico colombiano.

Da dança brasileira participa o grupo Dual Cena Contemporânea, de São Paulo, com o espetáculo de rua Chulos.

Da Argentina, o Mirada trouxe um trabalho do coreógrafo Edgardo Mercado – a instalação Topologías para Cuerpos Infinitamente Inconquistables.

Foto: Mauro Martella

Lítost, la Frustración, da diretora Jimena Márquez, do Uruguai

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A dança ainda está presente em trabalhos interdisciplinares, como Lítost, la Frustración, peça teatral da diretora Jimena Márquez, do Uruguai, em que três personagens contam e comentam uma história de família. Um deles se expressa por meio da dança. (Dias 11 e 12 de setembro/18, terça e quarta-feira, 18h, no Arcos do Valongo).

(Veja agenda de apresentações abaixo).

Diversidade ibero-americana

O Mirada acontece na unidade do Sesc em Santos e também em teatros, espaços públicos e edifícios históricos dos nove municípios que integram a Baixada Santista. A curadoria desse festival bienal, que tem como prerrogativa revelar o vigor da recentíssima produção latino-americana, portuguesa e espanhola, elegeu, para a edição de 2018, companhias de 13 países de língua portuguesa e espanhola. Ao todo, são 41 produções de teatro, dança, instalações, intervenções, performances, sendo 16 trabalhos nacionais e 25 internacionais.

“Em um mundo sacudido por frequentes crises socioeconômicas e humanitárias, uma forma do Sesc manifestar sua corresponsabilidade passa pela manutenção de uma agenda de festivais e eventos diversos dedicados ao encontro, ao intercâmbio, à reflexão e ao debate coletivo”, afirma Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo. “Reverberando pautas urgentes e necessárias por meio de temáticas relacionadas aos princípios democráticos e às liberdades criativas, o Mirada pretende fortalecer nosso compromisso com a rica diversidade ibero-americana ao conectar e envolver diferentes pontos desse corredor sociocultural. Trata-se de fortalecer o papel das artes como vetor de celebração, mudança e resistência”.

Pela primeira vez, o festival é realizado nas nove cidades da Baixada Santista: Bertioga (Parque dos Tupiniquins), Cubatão (Parque Anilinas), Guarujá (Praça dos Expedicionários e Museu Histórico Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande), Itanhaém (Praça Narciso de Andrade), Mongaguá (Praça Doutor Fernando Arens), Peruíbe (Praça Matriz São João Batista), Praia Grande (Calçadão da Av. Castelo Branco), São Vicente (Praça Tom Jobim) e Santos (Arcos do Valongo, Cadeia Velha, Casa Rosada [SABESP], C.A.I.S. Vila Mathias, Doca Valongo, Parque Roberto Mário Santini (Emissário), Praça Mauá, Sesc Santos, Teatro Armênio Mendes – Centro Cultural Português, Teatro Brás Cubas, Teatro Coliseu e Teatro Guarany).

Agenda da dança no Mirada:

. Topologías para Cuerpos Infinitamente Inconquistables, de Edgardo Mercado (Argentina)

Foto: Corina Tate

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  6 e 7 de setembro/2018, quinta e sexta, 18h.

Local: Doca Valongo (Rua Tuiuti, 26, Centro, Santos – SP).

Duração: 40 minutos. Classificação etária: 16 anos. R$ 50; R$ 25; R$ 15.

Performers: Julieta Losada Lacerna, Lucía García Pullés, Ludmila Mazzucchelli, María Belén Loiza, Manuel Pallero, Rodolfo Opazo, Rodrigo Gatica, Samanta Leder e artistas brasileiros convidados

Instalação: Edgardo Mercado em colaboração com Ariel Vaccaro e Gabriel Gendin
Montagem de instalação: Ariel Vaccaro

Luz: Fernando Berreta
Composição sonora: Gabriel Gendin
Assistente de direção: Lucía Llopis
Idealização e direção geral: Edgardo Mercado

Apoio: Ministério da Cultura do Governo da Cidade de Buenos Aires PRODANZA; Centro de Artes da UNSAM; Bolsa do Fundo Nacional do Diretório das Artes, Instituto Français Argentina e do Centro Nacional de la Danse.

Deitados dentro de um grande piso inflável, 16 performers conciliam movimentos coreográficos e interação com o espectador, que se move e caminha por sobre a extensão deste “chão de ar”. Performática e participativa, a experiência proporciona um encontro híbrido entre instalação e dança, com o intuito de ressignificar o conceito matemático de topologia.

 

. Chulos, com Dual Cena Contemporânea (Brasil – São Paulo)

Foto: Alicia Peres

Chulos, com Dual Cena Contemporânea

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  10 de setembro/2018, segunda-feira, 12h30. Local: Mongaguá.

11 de setembro/2018, terça-feira, 12h30. Local: Praça Mauá.

15 de setembro/2018, sábado, 17h. Local: Bertioga.

Duração: 55 minutos. Classificação etária: livre. Grátis.

Concepção e direção: Ivan Bernardelli

Elenco: Diogo De Carvalho, Flávia Teixeira, Hélio Feitosa, Inayara Iná, Ivan Bernardelli, Renata Maciel, Kleber Cândido, Mônica Augusto

Orientação dramatúrgica: Luís Alberto De Abreu

Direção e preparação musical: Lincoln Antonio

Figurino e adereços: Marichilene Artisevskis
Máscaras: Raone Ligeirinho VR

Direção de Produção: Radar Cultural Gestão e Projetos/ Solange Borelli

Apoios: Prefeituras Municipais de Bertioga e Mongaguá.

Chulos é um espetáculo de rua que faz referência à chula de palhaços, ritmo e dança que fazem parte da Folia de Reis. Nele, três Reis Magos peregrinam anunciando o nascimento de um novo rei, mas acabam por testemunhar o nascimento de três palhaços mascarados que celebram a renovação. As festas populares brasileiras convivem neste trabalho com as fragilidades sociais que o país enfrenta.

 

. La Ciudad de los Otros, com Sankofa – Corporación Cultural Afro Colombiana (Colômbia)

Foto: Sergio Gozález

Sankofa

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  10 e 11 de setembro/2018, segunda e terça-feira, 22h.

Local: Teatro Brás Cubas.

Duração: 60 minutos. Classificação etária: livre. R$ 50, R$ 25 e R$ 15.

Direção e coreografia: Rafael Palacios
Bailarinos: Andrea Bonilla Ospina, Cesar Lobo, Daniela Hernandéz Arango, Davinson Palacios, Diego León de los Ríos Naranjos, Feliciano Blandón Salas, Jeisson James Riascos Copete, Juan José Luna Coha, Katerin Moreno Aguilar, Liliana Hinestroza, Luís Armando Viveros Mosquera, Maira Alejandra Mosquera Mosquera, María Elena Murillo Palacios, William Camilo Perlaza Micolta, Yefferson Moreno Romaña, Yeison Moreno Córdoba, Yesid Quejada Moreno, Yndira Perea Cuesta

Criada no contexto da celebração dos 159 anos da abolição da escravidão na Colômbia, a obra do coreógrafo Rafael Palacios faz referência à falta de equidade social, especialmente no que diz respeito à população negra. Mais de dez artistas, entre bailarinos e músicos, se alternam em solos e movimentos de grupo para expressar diferentes dinâmicas sociais, desejando formas mais autênticas de convivência.

Sankofa significa “volver a la raiz” (retornar à raiz). Mais que uma palavra é uma filosofia africana que propõe conhecer o passado como condição para compreender o presente e poder dimensionar o futuro. Este pensamento conduziu o caminho da Corporación Cultural Afro Colombiana Sankofa, fundada por Rafael Palacios em 1997 como espaço dedicado à formação e criação em dança.

 

. La Miel es más Dulce que la Sangre, com L’Explose Danza (Colômbia)

Foto: Carlos Mario Lema

L'Explose

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  14 e 15 de setembro/2018, Sexta e sábado, 21h.

Local: Teatro Coliseu.

Duração: 60 minutos. Classificação etária: 12 anos. R$ 50, R$ 25 e R$ 15.

Direção e coreografia: Tino Fernández

Dramaturgia: Juliana Reyes

Música original: Camilo Giraldo

Bailarinos: Aleksandra Rudnicka, Ángel Ávila, Ángela Cristina Bello, Diego Fetecua, Luisa Camacho, Luisa Fernanda Hoyos e Yovanny Martínez

Cantora: Clara Rozo

Violão: Camilo Giraldo

Iluminação: Humberto Hernández
Produção no Brasil: CenaCult/ Júlia Gomes

O diretor Tino Fernández e a dramaturga Juliana Reyes reúnem a música e a dança flamenca, o universo criativo e a história de vida de Federico García Lorca, bem como o surrealismo de Salvador Dalí neste espetáculo de dança que leva o nome de um quadro do pintor espanhol. A plasticidade dos corpos e a visualidade da cena remetem ao imaginário de Dalí trazendo à tona questões da vida e da obra de Lorca.

 

. Súper Tejido Limbo, com Compañía Maldita Danza (Colômbia)

Foto: Zoad Humar

Compañía Maldita Danza (Colômbia)

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  13 e 14 de setembro/2018, quinta e sexta-feira, 18h.

Local: C.A.I.S. Vila Mathias

Duração: 40 minutos. Classificação etária: 14 anos. R$ 50, R$ 25 e R$ 15.

Bailarinos: Walter Cobos e Jorge Bernal

Direção: Jorge Bernal

Música: Carlos Romero

Figurino: Ricardo Roldan
Apoio técnico: David Idrobo

Projeto apoiado pelo Ministério da Cultura da Colômbia e por Instituto Distrital de las Artes (IDARTES).

Os bailarinos apresentam um jogo de opostos, colocando em convivência danças tradicionais e contemporâneas que ultrapassam as fronteiras geográficas da cultura colombiana. Assim, a cumbia, ritmo popular da Colômbia, convive com a técnica japonesa do butô e a dança hindu. A música e a iluminação contribuem para criar uma atmosfera de concentração, emoldurando a precisão dos bailarinos.

www.sescsp.org.br/mirada