Programação Brasil

São Paulo - SP

Alejandro Ahmed e Grupo Cena 11
Amarelo Sintagma

Foto: Divulgação
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Amarelo Sintagma é a performance de Alejandro Ahmed e Grupo Cena 11, com curadoria de Elisabete Finger, realizada especialmente para a edição especial do evento CCBB Música.Performance.

O Grupo Cena 11 Cia. de Dança, criado e radicado em Florianópolis (SC) há 22 anos, desenvolve e compartilha ferramentas técnicas fundamentadas nas relações entre corpo, ambiente, sujeito e objeto, como variáveis de um mesmo sistema vivo que existe enquanto dança. Seus projetos de pesquisa e formação confluem teoria e prática no entendimento de dança e atravessam as definições de corpo, tratando tecnologia como extensão e expansão do corpo propriamente dito.

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  O novo trabalho é uma ocupação cinético-sonora que toma o CCBB São Paulo como contexto, com a provocação de entender este espaço como situação, abraçando também sua condição arquitetônica e suas características histórico-culturais, e mantendo as portas abertas para o mundo externo e para seus agentes. Oito bailarinos e dois músicos ocupam o hall do prédio durante quatro horas do dia 15 de julho, criando para este tempo-espaço uma situação coreográfica site-specific, em que música e performance se encontram e se radicalizam no corpo. Corpo que age (performa) e move seu contexto, que tira sons de si mesmo e de seu entorno, construindo uma situação coreográfica transitória, intermitente, que se refaz e se acumula em ciclos, provocando o extraordinário no ordinário, percutindo e precipitando outros mundos.

Para a performer e coreógrafa Elisabete Finger, “o sentimento de desesperança aparece comumente associado a um conjunto de ideias e imagens negativas ou pessimistas, a uma certa escuridão que recai sobre nós com imenso peso e cansaço. O mal-estar diante de um mundo cheio de disparidades, excessos e extremos, que celebra e massacra com a mesma indiferença, parece materializar-se em forma de perplexidade e esgotamento. É possível, no entanto, ultrapassar com radicalidade este estado de prostração e fazer emergir a desesperança em forma de potência”. Essa é exatamente a proposta de Amarelo Sintagma.

Se a esperança é a certeza no mistério, acusamos a incerteza por nosso descrédito no futuro. Mas talvez haja uma curva, um avesso, uma outra rota, onde a desesperança engendre na incerteza um enigma. Um labirinto construído ao mesmo tempo que é percorrido, no corpo e com o corpo, habitando o tempo. Incerteza como enigma esculpindo o tempo. Nesta desesperança assumimos a incerteza para nos avizinharmos a outras realidades.

Amarelo Sintagma torna totem as definições de corpo do Grupo Cena 11 na frequência da cor amarela. “Amarelo como sintaxe entre som, imagem, e movimento. A ficção que nos expande, em meio à realidade que nos escapa. Uma ocupação cinético-sonora. Nossas danças se densificam para ocupar transitoriamente um espaço num colapso-expansão sonoro visual, no qual o movimento é uma fragilidade fundante da presença transformadora do corpo”.

Alejandro Ahmed, diretor e coreógrafo do Grupo Cena 11, assina criação, direção e coreografia de Amarelo Sintagma.

Criação e performance (elenco): Aline Blasius, Mariana Romagnani, Jussara Belchior, Marcos Klann, Edú Reis Neto, Natasha Zacheo, Karin Serafin.

Criação trilha sonora e performance: Hedra Rockenbach. Desenho de Som e performance: Tom Monteiro. Vídeo e performance: Bruno Bez. Lustre: Tom Monteiro e Hideki Matsuka. Figurino: Karin Serafin. Assistência de criação: Mariana Romagnani. Assistência de ensaio e produção: Malu Rabelo. Elementos de Cena: Grupo Cena 11.

Sobre o CCBB Música.Performance

O CCBB Música.Performance foi criado tendo como inspiração os eventos de rua, que são novas plataformas para artistas (DJs, VJs, performers, artistas plásticos e músicos), mostrarem suas performances. Eventos realizados por coletivos de todo o Brasil reúnem milhares de pessoas e ganham cada vez mais destaque ao promover uma nova forma de arte urbana, disruptiva e democrática.  As quatro edições já realizadas do projeto pelo CCBB São Paulo reuniram um público de cerca de 12 mil pessoas, com uma programação que envolveu performances, atrações musicais, instalações interativas e projeções, nacionais e internacionais. O projeto tomou corpo e ocupou um espaço importante na programação cultural da cidade, com reconhecimento de artistas, críticos e, especialmente, do público. O objetivo de criar uma plataforma para livre expressão da arte, despida de preconceitos, se concretizou e resultou num registro importante para a história da instituição. Com a edição especial, o CCBB Música.Performance expande seu formato, reunindo artistas reconhecidos que fazem da performance o ponto de partida para seus trabalhos, mostrados em diferentes suportes, sem, no entanto, perder a sua essência, a da performance art instantânea, que surge da interação da música, da arte e das pessoas.