Programação Brasil

São Paulo - SP

Cia. Carne Agonizante – O Canto Preso; Estado Independente; Colônia Penal

Foto: Alex Merino
Cia. Carne Agonizante em Colônia Penal.

A Cia. Carne Agonizante, de Sandro Borelli, apresenta três espetáculos de seu repertório no programa Dança como Instrumento Reflexivo e Político, na CAIXA Cultural São Paulo.

Em Dança como Instrumento Reflexivo e Político, a proposta é apresentar ao público parte do repertório do grupo e debater sua concepção sobre a dança contemporânea.

13 de setembro/2018 – 19h15: O Canto Preso

Foto: Alex Merino

O Canto Preso

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Esta criação que estreou em 1999 e rendeu o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor intérprete para Sandro Borelli, é uma adaptação coreográfica da peça teatral Bent, do dramaturgo norte-americano Martin Sherman. O Canto Preso tem como temas centrais o preconceito e o nazismo e conta a história de um homem perseguido e preso por ser homossexual. Para amenizar seus horrores no campo de concentração, ele se faz passar por judeu, pois sabia que os homens que detinham o triângulo rosa em suas vestes estavam sendo massacrados pelos guardas da SS e humilhados pelos próprios companheiros de cela.

Nesse lugar de sofrimento e extermínio em massa, o protagonista se apaixona por outro homem de quem se torna amigo e amante. Com intensa fisicalidade, o espetáculo cria uma atmosfera densa, alternando momentos de fragilidade e agressividade. Os dois personagens masculinos foram inseridos em um contexto atual, com o objetivo de ampliar a discussão sobre territórios e fronteiras, liberdade e opressão. Em cena, duas figuras femininas, que não existem na trama original, são uma metáfora para os personagens masculinos.

Intérpretes: Roberto Alencar, Daniela Moraes, Rafael Carrion e Vanessa Macedo. Concepção, coreografia e deção: Sandro Borelli. Assistente de coreografia: Rafael Carrion. Trilha sonora: Sérgio Zurawsky. Luz: Sandro Borelli. Figurino: grupo. Arte gráfica: Gustavo Domingues. Fotografia: Alex Merino. Direção de produção: Júnior Cecon e Cris Klein. Duração: 60 minutos. Classificação etária: 16 anos.

 

14 de setembro/2018 – 19h15: Estado Independente

Foto: Roberto Alencar

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Este espetáculo que estreou em 2009 no Panorama Sesi de Dança de São Paulo, se baseia na poética e na política revolucionária de Ernesto Che Guevara entre os anos de 1950 e 1960. O foco está, sobretudo, na figura lendária do guerrilheiro cidadão do mundo, como ele próprio se definia, e na sua permanência no imaginário coletivo como um personagem de espírito incorruptível, indomável e disposto a lutar contra a injustiça social. Na montagem, com o palco invadido por uma escuridão sobrecarregada, Borelli utiliza a metáfora da metamorfose e sobrepõe a ela elementos de uma guerrilha poética. A coreografia repercute as questões existenciais que permitem ao indivíduo buscar uma saída e sonhar com um mundo socialmente justo, honesto e ético.

Intérpretes: Adriele Gehring, Alex Merino, Daniela Moraes, Francisco Rosa, Rafael Carrion e Vanessa Macedo. Concepção, direção e coreografia: Sandro Borelli. Assistente de coreografia: Rafael Carrion. Trilha sonora e arte gráfica: Gustavo Domingues. Fotografia: Alex Merino e Roberto Alencar. Luz: Sandro Borelli. Figurino: elenco. Equipe de produção: Júnior Cecon e Cris Klein. Duração: 55 minutos. Classificação etária: 16 anos.

 

15 e 16 de setembro/2018 – 19h15: Colônia Penal

Foto: Rafael Carrion

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Inspirado na obra homônima de Franz Kafka (1883-1924) e na ditadura militar brasileira (1964-1985), explora a visão ampla e original do escritor tcheco sobre o indivíduo e sua relação com o meio em que está inserido, levando à cena temas como opressão, aprisionamento e desesperança.

Na obra original, Kafka faz uma análise crítica sobre o instituto da pena, analisando os seus limites e a sinistra imposição de sanções baseadas em castigos corporais pelo Estado, e ilustra com clareza e precisão as barbáries que constituíam as técnicas medievais na aplicação dessas coações punitivas. É uma crítica aberta aos regimes despóticos, nos quais o processo judicial e o direito de liberdade são subjugados.

Em cena, a Cia. Carne Agonizante propõe que o insólito e o absurdo possam ser percebidos por meio de várias situações: uma detalhada descrição de métodos de tortura dos regimes antidemocráticos, abrigando e acobertando assassinos; a cruel e irônica omissão de um observador estrangeiro; e a estranha relação entre o poder oficial e o condenado.

O grupo amplia a pesquisa em direção às torturas cometidas pela ditadura no Brasil nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Por meio de uma estrutura de gestos, ações e movimentos, é construída uma dramaturgia corporal, com diálogo constante entre dança e teatro, o que gera um jogo de tensão no espectador. Colônia Penal caracteriza-se como um atentado contra a dignidade humana, em que o anti-herói kafkiano é lançado, torturado e executado nos porões do regime militar brasileiro.

Colônia Penal estreou em julho de 2013 no Kasulo Espaço de Cultura e Arte (SP).

Intérpretes: Adriele Gehring, Alex Merino, Daniela Moraes, Francisco Rosa, Rafael Carrion, Sandro Borelli e Vanessa Macedo. Concepção, direção e coreografia: Sandro Borelli. Assistente de Coreografia: Rafael Carrion. Trilha sonora e arte gráfica: Gustavo Domingues. Fotografia: Alex Merino e Rafael Carrion. Luz: Sandro Borelli. Figurino: elenco. Equipe de produção: Júnior Cecon e Cris Klein. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 16 anos.

 

Oficinas

O projeto Dança como Instrumento Reflexivo e Político também conta com duas oficinas gratuitas, que acontecem no dia 15 de setembro/2018, com 20 vagas cada. As inscrições são feitas pela internet, por meio do link – bit.ly/inscricaocaixa. O bailarino, coreógrafo e diretor Sandro Borelli ministra o minicurso Corpo como instrumento reflexivo e político, das 10h às 13h. A atividade tem a proposta de experimentar e desenvolver com os participantes um trabalho de pesquisa corporal, buscando descobrir peculiaridades que serão analisadas a partir do duplo registro da impressão e da expressão do corpo em movimento. Outro objetivo é compreender o fenômeno artístico da dança e a relação que se estabelece entre o corpo e suas (des)organizações articulares e musculares.

Já a oficina Elaboração e Gestão de Projetos Culturais, ministrada pelo produtor Júnior Cecon das 13h30 às 17h30, oferece aos participantes informações e discussões acerca da importância de uma gestão estratégica de projetos culturais, fornecendo noções sobre elaboração e formatação de projetos de natureza cultural para as leis de incentivo à cultura.

13 a 16 de setembro/2018
Quinta a domingo às 19h15
Grátis

Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo (SP). Estação de metrô: Sé.

Capacidade: 120 lugares.

Ingressos: distribuição de senhas a partir das 9h do dia de cada apresentação.

Acesso para pessoas com deficiência.