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São Paulo - SP

Cia. Corpos Nômades
Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio

Foto: Débora Brito
Foto: Débora Brito
Foto: Débora BritoFoto: Débora Brito

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   Fundada há 22 anos pelo coreógrafo, bailarino e professor João Andreazzi, a Cia. Corpos Nômades tem como um de seus pilares a construção de performances de dança que dialogam com outras linguagens artísticas, como o teatro, as artes visuais e a literatura.

Em Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio, é a literatura que se destaca como fonte de inspiração.

Na atual temporada, o espetáculo surge reformulado, a partir de sua primeira versão, em 2009.

Baseado na obra Os Cantos de Maldoror, escrita pelo Conde de Lautréamont – codinome de Isidore Ducasse (1846-1870), Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio resgata figuras do livro considerado precursor do movimento surrealista na literatura e as recria a partir dos corpos dos bailarinos.

João Andreazzi ressalta trechos em que animais mutantes são expressos no livro, como polvos, tubarões e águias, que se formaram a partir de um mesmo corpo. “Há uma forte conexão com o zoomorfismo que faz parte da obra, mas não estamos diretamente ligados na parte descritiva e sim nas sensações que essas imagens causam”, diz Andreazzi.

Um dos parceiros que colaborou diretamente com o coreógrafo na criação de Hotel Lautréamont é o escritor, poeta e tradutor Claudio Willer, responsável por uma das traduções da obra francesa para o português. “Ele assistiu um trabalho anterior nosso e identificou essas proximidades da dança a um corpo muito presente nas obras surrealistas”, explica Andreazzi.

Entre diversas referências estéticas que fizeram parte do processo de criação da obra, Andreazzi se diz especialmente contagiado pelo cinema produzido a partir do movimento surrealista e da obra do artista plástico Max Ernst.

Para Andreazzi, a proposta aberta do espetáculo tem o potencial de alcançar o público familiarizado à obra de Ducasse ou ao surrealismo, de forma geral, mas também de dialogar e causar reflexões em quem desconhece a temática.

Foto: Débora BritoFoto: Débora Brito

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  João Andreazzi assina concepção geral, direção e coreodramaturgrafia do espetáculo. O elenco que participa da atual versão de Hotel Lautréamont reúne Gervásio Braz, João Andreazzi, Cristiano Bacelar, Rossana Boccia e Vagner Cruz.

A montagem da trilha sonora é de Vanderlei Lucentini. Pianista ao vivo: Diogenes Junior. Iluminação: Décio Filho. Figurino: David Schumaker.

O projeto que inclui a produção do espetáculo foi contemplado pelo 20º Programa Municipal de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo. Para comemoração dos 10 anos de existência do Espaço Cênico o Lugar, sede da Cia. Corpos Nômades, há o apoio de O Boticário na Dança através do PROAC-ICMS/Governo do Estado de SP.

Sobre Os Cantos de Maldoror

Foto: Débora BritoFoto: Débora Brito

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  Livro poético escrito entre 1868 e 1869 por Isidore Ducasse sob o pseudônimo Conde de Lautréamont. Poeta francês de origem uruguaia, Ducasse serve de referência para a construção e a elaboração dos momentos cênicos coreografados.

De Marcel Duchamp a Samuel Beckett e de Manoel de Barros a Shakespeare, Andreazzi releu os autores a partir do tratamento específico dado ao corpo por Deleuze e Guattari, propondo encenações múltiplas, plurais. Ao mesmo tempo dança, teatro e música, as elaborações visuais criadas por Andreazzi e apresentadas pela Cia. Corpos Nômades são únicas; procuram criar símbolos em cena, em vez de simbolizar.

O próprio ser mutante protagonista do Conto, Maldoror, dá ignição à criação coreográfica: trata-se de um homem que se recorda de haver vivido durante meio século sob a forma de tubarão, nas correntes submarinas que margeiam as costas da África. Ora jovem, ora de cabelos brancos; aqui moribundo, ali capaz de façanhas atléticas; transformado em águia para combater a esperança, polvo para melhor lutar com Deus, porco em seus sonhos, coisa informe, misturada à natureza, objeto de identidade indefinida.

Trecho do poema: “É um homem ou uma pedra ou uma árvore quem vai começar o quarto canto. Disfarça-se no combate ao bem: Tinha uma faculdade especial para tomar formas irreconhecíveis aos olhos mais treinados”.

 

30 de setembro a 12 de novembro/2017
Sábados às 21h
Domingos às 20h30
R$ 20; R$ 10 (meia)

Rua Augusta, 325, Consolação, São Paulo (SP), tel. (11) 3237-3224.

Capacidade: 64 lugares.

Recomendação etária: 14 anos.

www.ciacorposnomades.art.br