Programação Brasil

São Paulo - SP

Cia. Oito Nova Dança – Juruá

Foto: Gustavo Saulle

A Cia Oito Nova Dança, de São Paulo, pesquisa o universo indígena desde 2010. O mais recente resultado artístico desta conexão é o espetáculo Juruá, que estreia no Sesc Pompeia.

Em cena, além de Lu Favoreto, autora e diretora geral de Juruá, estão mais sete intérpretes-criadores que dançam, dantam e tocam instrumentos musicais: Eros Valério, Gabriel Küster, Gisele Calazans, Marcela Páez, Raoni Garcia, Roberto Alencar e Andrea Drigo. Andrea Drigo assina a direção musical e executa a trilha ao vivo.

O processo de criação do espetáculo partiu das rodas de xondaro, dança matriz de treinamento corporal e musical muito presente nas aldeias Guarani. Ela converge luta, dança e música. É nela que os guardiões Guarani se preparam para enfentamentos em que o principal movimento é a esquiva, de modo a não se deixarem capturar pelo inimigo. “O xondaro tem um aspecto muito importante na vida desse povo. É interessante ver que ele concentra estética, espiritualidade e política como se fosse uma só coisa. Observar o ritual por si só já é transformador para nós”, explica Lu Favoreto.

Foto: Gustavo Saulle

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  Juruá finaliza uma trilogia que vem se desdobrando desde 2012, com a criação de XAPIRI XAPIRIPË, lá onde a gente dançava sobre espelhos, que teve a direção cênica de Cibele Forjaz. A pesquisa de campo, procedimento criativo da companhia desde sua formação, contou com a orientação antropológica de Valéria Macedo, com imersões e encontros em diferentes aldeias na capital e no litoral de São Paulo: Rio Silveira, Ytu, Pyau, Itaendy, Tenonde Porã, Krukutu, Kalipety e Yrexakã.

Todas essas vivências trouxeram imagens e reflexões que ajudam a contar as experiências do grupo ao longo do processo. “No espetáculo, expomos ao público como o contato com o universo Guarani trouxe aprendizados, afetos e transformações, por isso nos colocamos como juruá (termo utilizado pelos Guarani para denominar o não-indígena), apesar da empatia e do desejo de aproximação”, explica Lu Favoreto.

Criação colaborativa 

Apesar de Lu Favoreto assinar a concepção e direção geral, o projeto de criação de Juruá é colaborativo. Os intérpretes-criadores partiram da Intervenção urbana ESQUIVA, criada em 2016, que se aproxima dos procedimentos criativos da performance, para ocupar as ruas, praças e espaços públicos. A partir da mesma matéria criativa, o novo projeto nasceu do desejo de friccionar os procedimentos para a criação de uma intervenção urbana, com os passos necessários para a criação de um trabalho para palco. “A Intervenção urbana ESQUIVA e suas ocupações trouxeram uma série de materiais que deram início a um novo processo de construção, passando por escolhas e lapidação do grupo. Na primeira etapa do processo criativo do espetáculo, laboratórios investigativos de matrizes e temas corporais nos indicaram uma dramaturgia física e sonora que, pouco a pouco, foi sendo experimentada e elaborada. Gosto de pensar no processo criativo como uma deglutição desta matéria criativa de base”, diz Lu Favoreto.

Som e movimento

Andrea Drigo, que assina a direção musical de Juruá, realiza um trabalho didático de construção vocal e sonora há cerca de 20 anos. Ela aplica esse processo com a Cia Oito Nova Dança desde 2003. Esta linguagem sintetiza o rigor do canto “convencional” e a liberdade da pesquisa dentro de uma abordagem energética da experiência sonora. A voz é vivenciada como veículo de refinamento artístico e sensorial, aguçando a sensibilidade auditiva e poética do indivíduo por meio da investigação da voz, das sonoridades, das palavras e do canto.

Em Juruá, Andrea também está em cena e executa a trilha sonora do espetáculo ao vivo, junto aos intérpretes-criadores, uma constante na parceria que tem feito com a Cia Oito Nova Dança ao longo dos últimos quinze anos.

A trilha do espetáculo é toda eletroacústica e foi baseada numa música que Andrea ouviu na pesquisa de campo feita na aldeia Guarani Rio Silveira.

Foto: Gustavo Saulle

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“A montagem mostra a presença Guarani na cidade e a eletroacústica foi uma maneira que encontrei de mostrar o encontro entre a cultura indígena com o urbano. Compus uma célula que guia todas as frequências sonoras, que vão ganhando camadas ou abrindo janelas para novos horizontes ao longo da apresentação. Outro elemento muito forte que mostra a relação entre os Guarani e o urbano é o violão. Eles usam muito o violão, mas como um instrumento de percussão e nós trazemos isso para a cena também”, explica Andrea Drigo.

Drigo relembra que ela e Lu Faroreto têm uma pesquisa conjunta na relação entre som e movimento, que tem continuidade em Juruá. “Para a companhia, a música é essencial e serve não só para que os bailarinos dancem. O que nos interessa é o ponto de encontro entre essas duas linguagens. Criamos campos de frequência que compõem a cena junto à dança”.

Juruá faz parte do projeto ESQUIVAS – Perspectivas de um corpo em devir, e foi contemplado pela 23ª Edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

Programação paralela

A estreia do espetáculo Juruá, no Teatro do Sesc Pompeia, está inserida na programação Ocupação ESQUIVA. A ideia é proporcionar uma aproximação e reflexão do público em relação à presença Guarani em aldeias localizadas na cidade de São Paulo e no litoral do Estado.

Para isso, antes das apresentações, será exibido também o Ensaio audiovisual ESQUIVA, registro realizado por Lucas Keese e Wera Alexandre (Guarani) e editado por Luísa Mandetta. Nele, é exposta a pesquisa de campo realizada pela Cia Oito Nova Dança na aldeia Guarani Kalipety em 2015, finalizada com a intervenção dos Guarani no Pátio do Colégio (SP) e a Intervenção urbana ESQUIVA, uma série de 11 ações realizadas em 2016 em pontos estratégicos da cidade de São Paulo.

Veja abaixo mais informações sobre a programação paralela.

 

2 a 12 de agosto/2018
Quinta a sábado às 21h
Domingo às 18h
R$ 20; R$ 10; R$ 6

Rua Clélia, 93, São Paulo (SP).

Capacidade do teatro: 302 lugares.

Duração: 60 minutos.

Classificação etária: 14 anos.

Programação paralela:

Exibição

| Ensaio audiovisual ESQUIVA - 1h antes de cada apresentação de Juruá. Hall do teatro | Livre | Grátis. Duração: 34 minutos.

Apresentação

| Roda de XONDARO: 11 de agosto, sábado, às 16h30. Área de Convivência | Livre | Grátis.

Bate-papo

| Lideranças Guarani: Jera Poty e Adriano Veríssimo Lima - com mediação da antropóloga Valéria Macedo. 11 de agosto, sábado, às 18h30. Área de Convivência | Livre | Grátis.