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São Paulo - SP

Cia. Treme Terra – ANONIMATO – Orikís aos Mitos Pessoais Desaparecidos

Foto: Divulgação

ANONIMATO – Orikís aos Mitos Pessoais Desaparecidos, da Cia. Treme Terra, é um espetáculo de dança negra que, segundo o grupo, “revela situações do cotidiano brasileiro, bem como aspectos ligados ao soterramento e aniquilamento das memórias negras no seio de uma sociedade eurocentrada, marcada por um histórico secular racista e colonialista, que violenta pessoas e tradições culturais de matrizes africanas, indígenas e periféricas”.

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De maneira poética (não dissociada da política, como discurso libertário), a obra aborda o genocídio étnico-cultural e duas consequências na vida social urbana, a invisibilização de mestras e mestres da cultura popular, abandonados à solidão.

Traçando um paralelo simbólico com os rituais de axexê, suas relações com eguns, orixás e nkisis, que estão fortemente associados à morte, bem como ao renascimento e outros desdobramentos, a Cia. Treme Terra aprofunda sua pesquisa mitológica, partindo das tradições bantu e yoruba no Brasil. Ao mesmo tempo, reverbera sons percussivos e vocais, dando origem a recriações cênicas, inspiradas (de maneira não literal) em histórias recolhidas de importantes personagens da cultura negra e periférica.

Na língua yorubá, Ori significa “cabeça, destino”, e Ki, “saudar”. O oríkì é uma forma poética orgânica de elaboração do conhecimento, organizada pela etnia iorubá, uma espécie de provérbio popularmente estudado e difundido no Brasil, por pessoas iniciadas nos terreiros de candomblé e pesquisadores. Os oríkìs são fontes de um saber que estão relacionados aos orixás.

O oríkì é uma espécie de montagem de atributos que tematiza, colagens de predicados, justaposição de particularidades e emblemas. São canções de guerra, cantigas de ninas, hinos, preces, orações, cânticos religiosos, cantos funerais, encantações, poemas didáticos, podendo-se inclusive ser encontrado nos textos percussivos, frases rítmicas dos “tamas” (tambores falantes africanos que quando tocados com baquetas possuem modulação de tonalidades e timbres).

A pesquisa do projeto ANONIMATO – Orikís aos Mitos Pessoais Desparecidos foi contemplada no 20º edital de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo.

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O espetáculo conta com direção geral e musical de João Nascimento. A direção coreográfica é de Firmino Pitanga. As criações cênicas-musicais são resultado de processos e vivências coletivas.

O trabalho contou com orientação artística de Clyde Morgan e Lais Morgan. O grafite digital é de Achiles Luciano e o cenário de Julio Dojcsar. Isa Santos assina os figurinos.

Sobre a Cia. Treme Terra

Surgida em 2006, a Cia. Treme Terra tem o propósito de valorizar, pesquisar e difundir a cultura negra e contribuir para a descentralização da produção de dança contemporânea em São Paulo. O grupo é fruto das atividades socioculturais e de formação artística promovidas no Morro do Querosene, zona oeste da cidade.

 

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Desde 2009, a Treme Terra está localizada no bairro Rio Pequeno, onde criou o Afrobase, sede da companhia e núcleo de formação nas linguagens de dança e música. Além da ação cultural, a proposta é promover discussão, troca e pesquisa com enfoque específico na cultura negra com a comunidade do entorno.

No mesmo ano, a companhia estreia sua primeira obra: Cultura de Resistência. O trabalho aborda o processo da diáspora negra, a formação da cultura afro no Brasil e, ainda, discute o conceito de Quilombo Urbano. O projeto também resultou na criação de um disco com as trilhas criadas para o espetáculo e um vídeodocumentário com performances de dança em espaços públicos e depoimentos de importantes artistas que contribuíram para processo de montagem.

A companhia, então, convida o coreógrafo Firmino Pitanga para dar início ao seu novo projeto de pesquisa. Sob o título Terreiro Urbano, o espetáculo estreou em 2012, no Grande Auditório do Masp e se baseou em pesquisa sobre danças dos orixás em contexto urbano. O trabalho ressignifica simbolicamente um xirê (cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás seguida de danças do candomblé), aproximando-o do contexto de cidades.

27 a 29 de abril/2018
Sexta e sábado às 21h
Domingo às 18h e 19h (6 de maio)
R$ 20; R$ 10; R$ 6

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo (SP), tel. (11) 3350-6300. Estação de metrô: República.

Capacidade do teatro: 216 lugares.

Duração: 60 minutos.

Classificação etária: 14 anos.

www.sescsp.org.br

Dia 6 de maio, domingo, 19h: apresentação na Galeria Olido (av. São João, 473, Centro, São Paulo, SP). Estações de metrô: República, Anhangabaú, São Bento. Ingressos gratuitos (retirar 1h antes do espetáculo, na bilheteria).