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São Paulo - SP

Djalma Moura – Depoimentos para fissurar a pele

Foto: Erico Santos

O bailarino Djalma Moura estreia Depoimentos para fissurar a pele, espetáculo que exalta a ancestralidade negra, no Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo, seguindo com apresentações em mais oito espaços culturais, na capital paulista e também em Franco da Rocha, Taboão da Serra e Sorocaba (veja relação de locais e datas abaixo).

Depoimentos para fissurar a pele é dualidade, existência entre mundos. É o morrer para existir. É um rito de passagem entre pele, carne, sangue e alma”, diz Djalma Moura, autor e intérprete do espetáculo.

A proposta inicial do trabalho era criar um corpo capaz de se transformar em bicho – como um bisão, búfalo ou outro ser que não apenas o humano. A partir deste ponto, o artista encontrou caminhos e poéticas negras, além de narrativas que dialogassem diretamente com o corpo negro e que mobilizassem o máximo do imaginário deste corpo. Neste processo, o artista chegou às mitologias e filosofias Iorubas africanas: os Orixás.

Foto: Erico Santos

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Iansã é o Orixá que dá corpo a este trabalho. Inserida diretamente nas coreografias, os movimentos de palco concentram-se em seus arquétipos e analogias em relação à natureza – sejam elas dentro do aspecto animal ou de tempo – como os ventos, as tempestades, os raios, o búfalo: todos estes elementos são utilizados como disparadores do processo criativo das danças e movimentos de Depoimentos para fissurar a pele. “O vento transforma e para sentir o vento é preciso receber Oya – Iansã e toda sua carga de revolução e resistência”.

“A incorporação ou invenção de Iansã é pensada a partir das modificações dos estados corporais”, explica Djalma Moura. “Uso a respiração como combustível para o movimento. Incorporação no terreiro, antes da chegada completa da entidade ou Orixá, é um estado de êxtase, de euforia, onde o corpo deixa de ser único para receber energia”.

Djalma Moura começou a idealizar o espetáculo em 2015. Agora, no palco, ele interpreta Depoimentos para fissurar a pele junto com o Ogã – o músico e artista Leandro Perez, que realiza a percussão que permeia a dança. O músico é peça fundamental para a dramaturgia do trabalho, que constrói junto ao bailarino todo estado de cena, o clima e as propostas sonoras que proporcionam diferencial ao espetáculo através dos atabaques e dos ganzás e caxixis.

“O foco principal deste trabalho se dá pela tentativa de transmutação, incorporação, ou invenção desses estados”, acrescenta Djalma Moura. “É criação de poética e construção de narrativas, por se tratar de um assunto primordial que é a diáspora africana, que se faz presente no contexto central do projeto. A raiz desta dança é ser orquestrada por um corpo negro na cena, o que já é por si só uma grande provocação sobre muitas situações cotidianas”.

Djalma ressalta que a religiosidade afrobrasileira é muito estigmatizada ainda nos dias de hoje. “Os artistas negros, principalmente na cena da dança contemporânea, também são. Usar essas duas instâncias no mesmo espaço é provocar discussões, anunciar e resistir enquanto propostas legítimas e tão contundentes quanto outro assunto”.

O projeto Depoimentos para fissurar a pele tem apoio do ProAc Primeiras Obras.

Oficinas gratuitas

Com o objetivo de compartilhar os procedimentos de criação que construíram a obra coreográfica, Djalma Moura ministrará a oficina Depoimentos para fissurar a pele nos diversos locais de apresentação. Exercícios de respiração, deslocamentos, transformações de qualidades corporais e composição coreográfica, passando pelas danças contemporâneas banhadas pelas simbologias e arquétipos de Iansã, farão parte da oficina. Público alvo: artistas da dança, do corpo, estudantes e interessados em geral. Classificação etária: livre. Duração: 2h. Quantidade de participantes: 20.

Datas e locais das oficinas: 21 de maio/2018, 18h, Centro de Referência da Dança (CRD). 25 de maio, 16h, Centro Cultural Newton Gomes de Sá. 27 de maio, Espaço Clariô de Teatro. 2 e 3 de junho, Centro Cultural Orunmilá. 12 de junho, UNISO Sorocaba – Universidade de Sorocaba.

16 de maio a 12 de junho/2018
Grátis

Programação de espetáculos

16 e 18 de maio/2018, 19h: Centro de Referência da Dança (CRD). Baixos do Viaduto do Chá, s/nº, Galeria Formosa, Centro, São Paulo (SP), tel. (11) 3214-3249. Estações de metrô: Anhangabaú, República, São Bento.

22 de maio/2018, 15h: Fábrica de Cultura Capão Redondo. Rua Bacia de São Francisco, s/nº, Conjunto Habitacional Jardim São Bento, São Paulo (SP).

25 de maio/2018, 20h: Centro Cultural Newton Gomes de Sá. Av. Sete de Setembro, s/nª, Centro, Franco da Rocha (SP).

26 de maio/2018, 20h: CCNJ – Centro de Culturas Negras Jabaquara. Rua Arsênio Tavolieri, 45, Jardim Oriental, São Paulo (SP).

27 de maio/2018, 19h. Espaço Clariô de Teatro. Rua Santa Luzia, 96, Vila Santa Luzia, Taboão da Serra.

2 e 3 de junho/2018, 20h: Centro Cultural Orùnmilá. Rua Orùnmilá, 100, Ribeirão Preto (SP).

7 de junho/2018, 15h: Fábrica de Cultura São Luis. Rua Antonio Ramos Rosa, 651, Jardim São Luis, São Paulo (SP).

12 de junho/2018, 9h40: UNISO Sorocaba – Universidade de Sorocaba. Rodovia Raposo Tavares, Vila Artura, Sorocaba (SP).