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São Paulo - SP

Jorge Garcia Companhia de Dança – Plano-Sequência/Take 2

Foto: Silvia Machado
@SilviaMachado

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Criado em função e a partir do espaço que ocupa, Plano-Sequência/Take 2, da Jorge Garcia Companhia de Dança, estreou na Casa das Caldeiras em 2017. Para tanto, o grupo fez uma imersão nas dependências do local. Agora, em 2018, esta “coreocinegrafia” se reescreve para o espaço da área de convivência do Sesc Consolação (SP).

O espetáculo é inteiramente construído pela interação com o cinema. A coreografia é transmitida ao vivo, em um único plano-sequência. Em mais de uma hora, sem interrupção e um take, os sete bailarinos – incluindo Jorge Garcia, diretor da companhia – se alternam entre filmar e ser filmado.

No processo de pesquisa e criação, o  trabalho tem uma importante contribuição do cineasta Heitor Dhalia, que ajudou na aproximação com a linguagem cinematográfica, característica que marca as criações de Jorge Garcia e seu elenco.

O público verá uma coreografia que se projeta e se movimenta em função da câmera. Por outro lado, o próprio ato de filmar se transforma em ação. Quem filma e quem está sendo filmado faz parte da cena. “Gosto dessa mistura de linguagem: um corpo que está em cena filmando um corpo vivo. Para mim, é dança, é movimento”, diz Jorge Garcia.

@SilviaMachado

Jorge Garcia

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A companhia mergulhou em um intensa pesquisa com o cinema desde Take a Deep Breath, peça de 2016, feita no espaço do próprio grupo, a Sede Capital 35, no bairro paulistano de Perdizes. Lá, embora o grupo já usasse a ideia de longas sequências em tempo real e discutisse os limites do que é ou não parte da cena, ainda não explorava um lugar aberto, com interferências da cidade.

Interlocutor no projeto, Heitor Dhalia lançou ideias de sua experiência com o cinema para ajudar a companhia a ampliar as possibilidades de caminhos e de formatos da união entre dança e cinema.

“O Jorge é um criador totalmente conectado com o nosso tempo. Produz uma arte urgente, em movimento, que pesquisa uma intersecção entre linguagens. No caso, o cinema e a dança. Sou fã dessa pesquisa e acho que novos significados surgem a cada espetáculo. É fascinante ver um grupo com uma visão criativa tão interessante e desafiadora”, afirma Dhalia.

Corpo-câmera

Em Plano-Sequência/Take 2, os bailarinos se transformam em corpo-câmera no manejo da 70D, da Canon. O trabalho de gruas e travellings feito no cinema geralmente por máquinas, no espetáculo são conduzidos pelos próprios intérpretes, em deslocamentos de grande exigência física – para que as imagens não tremam ou sofram com passagens bruscas.

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“Fizemos um grande estudo para adaptarmos essa linguagem à dança. Desde como o corpo se comporta para usar a câmera, passando por entender a fotografia e a luz no cinema, até a captação direta de áudio”, conta Jorge.

Para chegar a esse resultado, o grupo contou com as experiências de alguns profissionais de diferentes áreas em workshops, realizados ao longo do ano: Corpo-câmera, com o também bailarino e artista multimídia Joaquim Tomé; Experiências cênicas na construção de um ato-espetáculo-DRAMATURGIA, com Rogério Tarifa, diretor, ator e dramaturgo; Experiências cênicas na construção de um ato-espetáculo – O som no cinema, com Diego da Costa, diretor, roteirista, montador e microfonista de cinema; Cinematografia, com o diretor de fotografia Azul Serra.

O elenco da Jorge Garcia Companhia de Dança reúne Giuli Lacorte, Jorge Garcia, Manuela Aranguibel, Marina Matheus, Rafaela Sahyoun, Mariana Molinos e Felipe Teixeira.