Programação Brasil

São Paulo - SP

Núcleo Artérias
Protesto

Foto: Paulo Cesar Lima
Foto: Paulo Cesar Lima
Foto: Paulo Cesar LimaFoto: Paulo Cesar Lima

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  O Núcleo Artérias, dirigido por Adriana Grechi, estreia Protesto, que enfoca a dança como forma de protesto oblíquo (indireto, torto) para gerar vitalidade e conexão em tempos de crise e incerteza.

Em busca de um novo ponto de vista imagético e sensorial, o grupo convida o público a fruir a obra a partir do palco, perto dos bailarinos.

O transe em diferentes culturas

Nos últimos anos, o Núcleo Artérias observou diferentes práticas de transe. Neste estudo, o grupo reconheceu princípios físicos comuns presentes em muitos rituais, como a desorientação do sistema vestibular, a vibração de tecidos corporais que modificam o acionamento do sistema nervoso, a repetição de padrões percussivos e práticas de chacoalhar para ativar fluxos emocionais.

Adriana Grechi explica o interesse pelos estados de transe: “O primeiro contato do grupo foi em 2012, no Festival On Marche em Marrakesh, com Adil Amimi, músico condutor de rituais Gnawa de Essaouira, uma pequena cidade litorânea no sul do país, centro dos rituais. Alguns modos de acionamento de estados de transe no Marrocos eram bastante similares aos de rituais de umbanda praticados no sudeste do Brasil, o que particularmente me interessou bastante”.

O antropólogo escocês Ioan Lewis, usa o termo “protesto oblíquo” para descrever estados de transe em diferentes culturas, como estratégias para pessoas marginalizadas (na maioria das vezes mulheres em sociedades dominadas por homens) encontrarem algum tipo de visibilidade, reconhecimento e espaço de existência social. Lewis estuda, entre outros fenômenos, o “carnaval de mulheres” (forma de tarantismo propagada pelo sul da Itália), rituais dionisíacos realizados por mulheres na antiga Grécia, possessão feminina no vodu haitiano, Indian Shakers nos EUA, culto Zar no norte do Sudão, entre muitos outros.

Ritual coletivo

Foto: Paulo Cesar LimaFoto: Paulo Cesar Lima

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  O Núcleo Artérias, formado por mulheres, inventou suas próprias práticas para gerar vitalidades corporais em tempos de crise, ativando e reconhecendo o corpo como matéria perceptiva, viva (sensorial e emocional), integrada a outras matérias, e em constante transformação.

Em diferentes práticas xamânicas ameríndias há um tipo de retorno a tempos onde os humanos não se diferenciavam dos outros seres, onde todos partilhavam a mesma forma, possibilitando uma ampla comunicação. O grupo observou experiências similares no trabalho de “camuflagens orgânicas” da artista cubana Ana Mendieta, onde ela imergia seu corpo em paisagens para se reconectar com um “fluido universal”.

Para tramar sua própria vitalidade primitiva, o grupo fabricou um certo “tempo de indiferenciação” e “comunicação ampliada”, misturando seus corpos a outros materiais, corporificando e amplificando padrões neurológicos básicos, relacionados às primeiras etapas evolutivas da vida (vibração, respiração celular e pulsação).

Entendendo que conhecer é personificar, o grupo inventou modos do corpo operar se conectando com outros corpos. Para isso instalou um ambiente relacional onde não há sujeito, ou objeto. Um ecossistema que ativa os sentidos, coabitado por “coisas” como lona plástica, pessoas, pedras, tecido dourado, sons, trepadeiras, musgos, aromas, um compensado e blocos de cimento.

Ao inventar um ritual coletivo para teatros, relacionado à transformação e à regeneração das conexões, o Núcleo Artérias propõe acionar o corpo como matéria sensorial e perceptiva, um corpo poroso, que expande sua capacidade de ser afetado, como forma de vitalidade e potência política.

Protesto foi concebido por Adriana Grechi, que também assina a direção do espetáculo.

Foto: Paulo Cesar LimaFoto: Paulo Cesar Lima

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  O elenco reúne Bruna Spoladore, Lívia Seixas e Renata Aspesi, que também participaram da criação.

Lu Mugayar assina arte/figurino. Dudu Tsuda realizou a criação/instalação sonora. Provocadores: Alejandro Ahmed e Rosa Hercoles. A criação de luz é de André Boll.

Protesto foi contemplado pelo 18º Edital do Programa de Fomento à Dança da Cidade de São Paulo.

 

15 a 18 de junho/2017
Sexta e sábado às 20h
Domingo às 19h
Grátis

Av. São João, 473, Centro, São Paulo (SP), tel. (11) 3331-8399. Estações de metrô: República e Anhangabaú.

Capacidade: 80 lugares.

Recomendação etária: 14 anos.

Duração: 60 minutos.