Programação Brasil

São Paulo - SP

Ocupação Marta Soares
Vestígios
O Banho
Deslocamentos
Les Poupées 

Foto: João Caldas
Foto: João Caldas
Marta Soares em O Banho
Foto: João CaldasFoto: João Caldas

Marta Soares em Vestígios

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 A retrospectiva da bailarina e coreógrafa Marta Soares marca seus 20 anos de carreira, com apresentações de quatro das principais obras de seu repertório e a realização de uma oficina de compartilhamento de processo criativo.

“Eu trabalho nas minhas criações, entre outras coisas, os traumas de ter crescido em uma pequena cidade do interior de São Paulo, durante a ditadura militar, numa sociedade patriarcal. Acredito ser este um dos motivos pelo qual venho criando danças sobre a impossibilidade de dançar”, diz Marta.

Os espetáculos que compõem a Ocupação Marta Soares são:

Vestígios: A partir de pesquisa em cemitérios indígenas pré-históricos na região de Laguna, em Santa Catarina, a obra propõe uma experiência de escavação arqueológica, interceptando as linguagens da dança, artes visuais (vídeo e instalação) e performance. Para a pesquisa, a bailarina e coreógrafa fez imersões físicas nesses locais.

Vestígios propõe ao público uma viagem ficcional entre o não lugar (espaço da instalação), e o lugar, o espaço de fora, onde se encontram os sambaquis pesquisados. “Concebi uma performance sintética, a partir de sensações captadas naquele ambiente e fiz um recorte, propondo ao público uma viagem ficcional para aquele lugar”, afirma Marta. Outra referência do espetáculo é Robert Smithson, um dos criadores da land art.

Esta criação recebeu o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de 2010, na categoria Pesquisa em Dança. No mesmo ano, também foi indicada ao prêmio Bravo!.

 

O Banho: Solo realizado em uma banheira com água, onde Marta Soares executa sequências de movimentos inspirados nas fotografias de mulheres histéricas, de autoria do médico e cientista Jean-Martin Charcot, no início do século 20.

A instalação coreográfica O Banho é resultado de pesquisa realizada sobre a vida de Sebastiana de Mello Freire, Dona Yayá, mulher da elite paulistana que, ao ser diagnosticada como doente mental, teve sua casa no bairro da Bela Vista, em São Paulo (hoje tombada pelo patrimônio histórico) parcialmente transformada em um hospital psiquiátrico privado. Isolada por ordens médicas, Dona Yayá permaneceu isolada na casa por 42 anos (entre 1919 e 1961).

Projeções de vídeos em formato de tríptico (três imagens lado a lado) compõem a instalação, que tem instalação sonora de Lívio Tragtenberg. A obra foi concebida em loopings. Essas repetições são transpostas para a iluminação, a sonorização e a sequência de movimentos executada por Marta. Os vídeos são imagens captadas por Marta, especialmente dos reflexos do seu corpo projetados no espaço, a partir do solário de vidro existente na casa da Dona Yayá.

O Banho foi premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) EM 2004.

 

Foto: João CaldasFoto: João Caldas

Cena de Deslocamentos

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 Deslocamentos: São partituras coreográficas constituídas por várias combinações de corpos acoplados por figurinos (duetos, quarteto e sexteto) que, ao se movimentarem, geram figuras híbridas, sem classificação pré-estabelecida e que podem, ao mesmo tempo, vir a ser homem e mulher, vivo e morto, dentro e fora, figura e fundo. Ou seja, corpos informes (sem forma), em trânsitos entre deformações – sucessão de movimentos, e transformações – sucessão de formas.

Os corpos de Deslocamentos podem ser uma reflexão sobre como o poder os afeta na contemporaneidade. Por exemplo, através da biopolítica, e quais seriam as possíveis maneiras dos mesmos exprimirem uma potência própria, resistindo às formas vindas de fora e que se impõem ao dentro, para lhes imprimir uma “alma”. Para isso, como personagens de Samuel Beckett, as bailarinas experimentam situações nas quais não é mais possível agir, responder à forma ou ficar em pé, mas somente ceder progressivamente a todos os tipos de deformações. São ações que, em uma primeira instância, podem parecer de resignação, mas que por intermédio de um olhar mais apurado é possível observar serem atos de resistência a qualquer tipo de formatação, classificação e interpretação desses corpos.

 

Foto: Gil GrossiFoto: Gil Grossi

Marta Soares em Les Poupées

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 Les Poupées: O ponto de partida é o trabalho fotográfico surrealista do alemão Hans Bellmer, que pesquisa o que chamou de “inconsciente físico” ao fotografar as suas bonecas, as quais montava, desmontava e remontava. Bellmer foi influenciado pelos contos de E.T.A. Hoffman, em especial O Homem de Areia, pelos movimentos dadaísta e surrealista e pelos experimentos psicanalíticos realizados no início do século 20, por Charcot e Freud, com pacientes histéricas.

O inconsciente físico seria o caminho que os desejos inconscientes percorrem pelo corpo. Bellmer procurava incessantemente, em suas fotografias, expor os mecanismos dos desejos humanos e revelar a relação entre o dentro e o fora do mesmo.

O espetáculo explora categorias – a indistinção entre o dentro e o fora, o morto e o vivo, o homem e a mulher, a figura e o fundo (conceitos do escritor George Bataille). O solo Les Poupées explora questões como a fragmentação do corpo, a dissolução dos limites entre o corpo e o seu entorno, como também o borramento das fronteiras entre as categorias masculina e feminina, para refletir sobre a condição de multiplicidade do sujeito na contemporaneidade.

Les Poupées foi premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) em 1997, na categoria Melhor Pesquisa em Dança.

 

Sobre Marta Soares

Marta Soares é dançarina e coreógrafa. Completou o One Year Course no Laban Centre for Movement and Dance em Londres. Em Nova Iorque completou o bacharelado em artes (BA) no Empire State College da State University of New York (SUNY), o Certificado em Análise de Movimento Laban (CMA) no Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies (LIMS). Ainda em Nova York, estudou e trabalhou com a diretora e dramaturga Lee Nagrin (fundadora do grupo “The House” dirigido por Meredith Monk  e ganhadora do Prêmio OBIE em dramaturgia) e nas escolas Movement Research , Susan Klein , Alwin Nickolais, entre outras. Apresentou seus trabalhos em show cases em vários teatros downtown de Nova Iorque, entre os quais destacam-se: PS 122, DIA Arts Foundation e The Knitting Factory. Recebeu a Bolsa para artistas da Fundação Japão através da qual estudou dança butô com Kazuo Ohno  em Tóquio.

No Brasil, criou o solo Les Poupées (Prêmio APCA 1997 na categoria Pesquisa em Dança) com o apoio da Bolsa Rede Stagium; o trabalho em grupo Formless (Prêmio APCA 1998 na categoria trilha sonora desenvolvida por Lívio Tragtenberg), com o apoio do Prêmio Estímulo Flávio Rangel de Artes Cênicas do Ministério da Cultura e Funarte; o solo O Homem de Jasmim (Prêmio APCA 2000 nas categorias concepção/direção e vídeo/cenografia) com o apoio da Bolsa Vitae de Artes e do Prêmio Estímulo de Dança – Novas Linguagens Coreográficas da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, apresentado na Mostra Rumos Dança  2000/2001, no Itaú Cultural.

Colaborou com a bailarina Miriam Druwe como orientadora na criação do solo Estar Sendo, apresentado na mostra Livre Trânsito do evento Dança em Pauta de 2003, no Centro Cultural Banco do Brasil. Recebeu a Bolsa para Pesquisa e Criação Artística da John Simon Guggenheim Foundation, através da qual criou o solo  O Banho (Prêmio APCA 2004 na categoria instalação coreográfica), o qual teve a sua estréia na Galeria Vermelho, na Mostra Rumos/Dança 2003/2004, do Itaú Cultural.  Dirigiu o solo 206, interpretado pela bailarina Lilia Shaw para o evento Solos em Questão, da Cia. 2 do  Ballet da Cidade de São Paulo (Prêmio APCA 2004), na categoria instalação coreográfica. 

Desenvolveu o espetáculo em grupo Um corpo que não agüenta mais com o apoio do I e IV Programa Municipal de Fomento a Dança da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo e Prefeitura da Cidade de São Paulo, o qual teve a sua estréia na Mostra SESC de Artes Circulações em 2007 e uma segunda temporada no Espaço Viga em 2008. Recebeu o VI Programa Municipal  de Fomento a Dança da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e o Prêmio Rumos Dança do Itaú Cultural 2009/ 2010, para desenvolver a instalação coreográfica Vestígios, indicada ao Prêmio BRAVO! 2010 e ganhadora do Prêmio APCA 2010, na categoria Pesquisa em Dança. Recentemente realizou o projeto Deslocamentos, contemplado com a 14ª Edição do Programa de Fomento à Dança de São Paulo, o qual teve a sua estreia em fevereiro de 2014 na Casa Modernista –  projetada em 1927, pelo arquiteto russo Gregori Warchavchik (1896-1972) – em um formato site specific, utilizando vários espaços internos e externos da mesma.

Os seus trabalhos foram apresentados em vários festivais nacionais e internacionais entre os quais destacam-se: Fórum Internacional de Dança em Belo Horizonte (FID), Festival Panorama Rio Arte de Dança, Festival Porto Alegre Em Cena, Festival Internacional de Dança de Recife, Bienal Internacional de Dança do Ceará e Festival de Dança de Joinville. Festival Temps d’Images no CentQuatre em Paris, França, Festival Queer Zagreb em Zagreb, Croácia, Festival Europália no The Single na Antuerpia, Bélgica e Festival In Transit na Haus der Culturen der Welt em Berlim, Alemanha.

É mestre em Comunicação e Semiótica e doutora em Psicologia Clínica/Artes (Núcleo de Subjetividade) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde também lecionou na Faculdade das Artes do Corpo no período entre 1999 e 2012.

3 de março a 25 de junho/2016
Veja abaixo os horários da temporada
Grátis

Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo (SP), tel. (11) 3221-5558. Estação de metrô: Tiradentes.

40 lugares. Retirar ingressos 30 minutos antes.

Vestígios: 3 a 19 de março/2016. Quintas, sextas e sábados às 20h. Duração: 60 minutos. Classificação etária: livre.

O Banho: 31 de março a 16 de abril/2016. Quintas, sextas e sábados às 20h. Duração: 60 minutos. Recomendação etária: 12 anos.

Deslocamentos: 5 a 28 de maio/2016. Sextas e sábados às 20h. Haverá uma sessão extra dia 5 de maio, quinta-feira, às 20h. Duração: 90 minutos. Classificação etária: livre.

Les Poupées: 9 a 25 de junho/2016. Quintas, sextas e sábados às 20h. Duração: 45 minutos. Classificação etária: livre.

Oficina de compartilhamento de processo criativo – Marta Soares e Cia.: de 6 a 20 de junho/2016. Segundas e quartas-feiras, das 14h às 18h. Público: artistas da dança, teatro e estudantes das artes do corpo. Inscrições: 1º de abril a 30 de maio, pelo site www.oficinasculturais.org.br. Selação: análise de currículo e carta de interesse. Vagas: 20. Indicação: maiores de 16 anos.