Programação Brasil

São Paulo - SP

Projeto Mov_oLA/Alex Soares – Desert Dweller e Oroboro

Foto: Clarissa Lambert

O projeto Mov_oLA, dirigido pelo coreógrafo e videomaker Alex Soares, apresenta pela primeira vez no Brasil Desert Dweller, um dos trabalhos vencedores do National Choreographic Competition, promovido anualmente pelo Hubbard Street Dance Chicago (EUA). Alex Soares criou esta peça em 2014 para a Hubbard Street 2, companhia norte-americana que destaca bailarinos jovens.

Foto: Clarissa Lambert

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  O espetáculo comemora os dez anos do Projeto Mov_oLA. Além de Desert Dweller, o programa inclui Oroboro, criação de 2013 sobre a memória, a partir de duas fases importantes da vida, infância e velhice.

Desert Dweller — Morador deserto, em português – fala sobre solidão, uma emoção humana universal, complexa e única para cada indivíduo. Soares buscou o conceito para a criação investigando o isolamento percebido e inspirado em parte pela música da compositora e violoncelista Julia Kent. “A solidão não é necessariamente sobre ser literalmente sozinho”, explica Soares. “Eu estou interessado no sentimento de estar sozinho, mesmo quando estamos cercados por outras pessoas”.

Foto: Clarissa Lambert

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Quando criou o trabalho, Alex Soares usou uma experiência própria. “Resolvi falar disso porque na época estava viajando muito e me dei conta que vivia isso toda vez que chegava numa cidade ou país novo. Ficava em um lugar 40 dias seguidos trabalhando numa coreografia nova, existia uma certa rotina, mas demorava para criar uma relação afetiva com o lugar. No meu tempo livre, fora do horário de trabalho, eu me sentia muito deslocado. Daí o título da peça, que em português significa ‘morador deserto'”, conta.

Nessa criação de 20 minutos, Soares revela esse sentimento em uma composição cênica com solos, duos e quartetos. O elenco reúne Caroline Zitto, Fernando Ramos, Guilherme Riku, Ícaro Freire, Natacha Takahashi ou Thais França e Vivian Navega. De diferentes formas, exploram a dubiedade de sentimentos da situação em que, mesmo estando perto de outras pessoas, a solidão continua presente.

Oroboro

Foto: Cassiano Grandi

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Palavra de origem grega, cujo símbolo é representado por uma serpente que morde a própria cauda, Oroboro revela uma imagem sem começo ou fim. “É um palíndromo, ou seja, uma palavra que pode ser lida de trás para a frente, sem perder sua pronúncia. Transmite a ideia de algo cíclico, o qual sempre  remete ao início”, diz o coreógrafo.

O trabalho trata da infância e da velhice, dois lugares distantes e, ao mesmo tempo, próximos. “As crianças e os idosos têm características parecidas e na nossa sociedade ‘adulta’ são tratadas como faixas à margem. Não tentei dramatizar, mas tratar esses estados como algo próximo um do outro”, revela Soares.

A trilha é do contrabaixista Célio Barros, que procura evocar, por meio da música, lembranças escondidas. Em alguns momentos, é tocada ao vivo pelo violoncelista Leonardo Salles . “Alguns estudos científicos indicam que a música está associada às memórias mais vívidas de uma pessoa. Essa área do cérebro parece servir de centro que liga música conhecida, memórias e emoções”, acrescenta Soares.

O retorno à infância, as relações entre as memórias vividas, afetivas ou não, percorrem o tema da obra. Com tal premissa, Oroboro toca em questões da existência, como a presença e a ausência, que muitas vezes fogem ao nosso controle.

Projeto Mov_oLA

O projeto Mov_oLA, criado em 2008, é um núcleo de criação multimídia em dança contemporânea. Idealizado por Alex Soares, coreógrafo e videomaker, o projeto se inspirou no conceito das antigas moviolas –  máquinas que permitiram editar os filmes com a chegada do cinema sonoro, transformando as fotografias em movimento total – para integrar a dança com outros formatos, como o digital e o audiovisual. Alex Soares começou a criar em um workshop para novos coreógrafos do Balé da Cidade de São Paulo, onde ainda atuava como bailarino. Sempre muito interessado em vídeo e suas vertentes, Alex também estudou cinema, com intuito de utilizar estes conhecimentos em suas produções cênicas e também na criação de vídeodanças.

10 e 11 de maio/2018
Quinta e sexta às 21h
R$ 7,50; R$ 12,50; R$ 25

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo (SP), tel. (11) 3350-6300. Estações de metrô: República e Anhangabaú.

Duração: Oroboro, 60 minutos / intervalo de 15 minutos / Desert Dweller, 23 minutos.

Classificação etária: 16 anos.

www.sescsp.org.br