Programação Brasil

São Paulo - SP

Volmir Cordeiro
Céu

Foto: Laurent Friquet
Foto: Laurent Friquet

Quando morava no Brasil e dançava na companhia de dança de Lia Rodrigues, localizada na favela da Maré, subúrbio carioca, o bailarino Volmir Cordeiro não desgrudava o olhar de figuras marginalizadas que transitavam pelo lugar. Desta observação atenta surgiue o tema de Céu, espetáculo do artista hoje residente na França, que será apresentado pela primeira vez em São Paulo, no Sesc Belenzinho. O projeto tem apoio do Institut Français.

Considerado por seu criador uma “dança de posturas”, o solo traça uma espécie de parentesco corporal com a imagem dos corpos das pessoas com quem o bailarino cruzava no morro do Rio de Janeiro – imagens que perdeu de vista depois de sua ida para Angers, cidade a 300 km de Paris. Neste contexto eurocêntrico e com menos inflexões sociais, já não encontrou com tanta frequência as figuras marginalizadas que faziam parte da sua rotina.

No espetáculo de 30 minutos, criado em 2012 como parte do mestrado que concluía na França, Volmir parte, ainda, da ideia de que o céu é um espaço infinito e sem hierarquias, onde não existe a diferença entre as pessoas. Aliando a esse conceito a ideia de se expor, o bailarino convida o público a lhe conhecer. Nessa intenção,  dança com um figurino que “veste a nudez”, nas suas palavras. Em cena, ele usa um collant transparente que vai da barriga aos joelhos, deixando seu sexo à mostra. “É uma roupa que produz estranhamento, porosidade e fricção, além de ser muito frágil, aumentando ainda mais esse aspecto da exposição”, explica o artista.

“Qual é a política desse gesto de incluir o espectador sem uma proposta participativa? O desafio é ter a participação do público só a partir da atividade do olhar. O que é e como identificar esses gestos que se endereçam ao espectador? Essas são algumas perguntas que vou tentando responder com a pesquisa de Céu”, diz Volmir.

Foto: Laurent FriquetFoto: Laurent Friquet

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  O tom do espetáculo é performático – parte da ação. Não há uma narrativa tradicional que permeia a obra. A luz escolhida por Volmir também é expositiva e sem movimentos. Na trilha sonora, um desfecho musical que reconecta Volmir ao Brasil: a canção Peixe, dos Doces Bárbaros (grupo musical do período tropicalista, dos anos 1970, composto por Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso e Giblerto Gil), que, com a repetição dos versos “Peixe, deixa eu te ver, peixe, deixa eu te ver, peixe”, também elucida a proposta de aproximação de Volmir com o público.

Céu nasceu no Mestrado em Dança, Criação e Performance, sediado no Centro Nacional de Dança Contemporânea (CNDC), dirigido pela coreógrafa Emmanuelle Huynh, em parceria com Universidade Paris VIII e a Escola de Belas Artes de Angers, na França. Foi com esse espetáculo que Volmir se lançou no mercado da dança como coreógrafo profissional.

Apresentado com frequência na França, o espetáculo esteve em países como Canadá, Cuba, Bélgica, Alemanha e Espanha. No Brasil, Volmir dançou Céu apenas no Rio de Janeiro e em Cuiabá.  Depois de passar pelo Brasil, o artista – que esteve em agosto em turnê pelo Chile e Argentina, tem agenda na França, Bélgica e Inglaterra, com outros espetáculos de seu repertório.

Sobre o artista 

Volmir Cordeiro (Brasil, 1987) é doutorando em dança pela Universidade Paris 8 (France). Em 2011 mudou-se para a França para realizar estudos coreográficos no Mestrado Essais – Centre National de Danse Contemporaine d’Angers (direção Emmanuelle Huynh). Artista-pesquisador, trabalhou como intérprete com os coreógrafos Alejandro Ahmed, Lia Rodrigues, Cristina Moura, Xavier Le Roy, Laurent Pichaud & Rémy Héritier, Emmanuelle Huynh, Jocelyn Cottencin et Vera Mantero.

A partir de 2012 começa a realizar seus próprios projetos como coreógrafo, apresentando suas peças em diversos festivais internacionais. Volmir Cordeiro foi artista associado durante o ano de 2015 na Ménagerie de Verre, em Paris, e a partir de 2017 é artista associado ao Centre National de la Danse (CND) à Pantin. Ensina regularmente em escolas de formação coreográfica como no Mestrado Exerce – Montpellier, França, Mestrado Drama – Gent, Bélgica, e no Espaço Nave, no Chile, na formação Por que me muevo?.

 

8 a 10 de setembro/2017
Sexta e sábado às 20h
Domingo às 17h
R$ 20; R$ 10; R$ 6

Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho, São Paulo (SP), tel. (11) 2076-9700. Estação de metrô: Belém.

Capacidade da sala: 100 lugares.

Duração: 30 minutos.

Recomendação etária: 16 anos.

Ingressos: R$20,00 (inteira); 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes). Estacionamento: Para espetáculos com venda de ingressos após as 17h: R$ 15,00 (não matriculado); R$ 7,50 (credencial plena no SESC - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário). www.sescsp.org.br/belenzinho