Programação Brasil

São Paulo - SP

XI Mostra Lugar Nômade de Dança e Teatro

Foto: Danilo Batista
Andreia Nhur em Mulher sem Fim

A Mostra Lugar Nômade de Dança, idealizada por João Andreazzi, fundador da Cia. Corpos Nômades, realiza em 2018 sua 11ª edição com 13 atividades – 11 espetáculos de dança e teatro; o tea-time, encontro que estimula o debate entre os artistas participantes da mostra e o público e o workshop de dança a partir da obra em processo da Cia. Corpos Nômades.

Foto: Juliana Resan

Verbar, de Taanteatro.

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Segundo João Andreazzi, nesta edição foram levados em consideração aspectos ligados ao momento político e social atual, com destaque para a participação feminina na mostra. “Os projetos envolvem a mulher como protagonista, no sentido de impulsão criativa para a produção artística”, diz o artista. Verbar, solo de Mônica Cristina Bernardes; Mulher Sem Fim, de Andréia Nhur; Estiagem com direção de Paulo Fabiano – Teatro X; Ofélia Territórios Movediços com Camila Fersi – Coletivo Instantâneo e Desmontando Desdêmona, um work in progress da Cia. Corpos Nômades, são exemplos de espetáculos que dialogam com essa realidade.

Andreazzi afirma que um dos aspectos mais importantes da mostra até hoje é a questão colaborativa que ela propõe. “A troca acontece em todos os momentos. Desde o espaço físico, que exige o compartilhamento dos espaços, até as reflexões traçadas entre os artistas. No tea time, conversamos sobre os desafios da área e pensamos nos ajustes que podem ser feitos para superá-los, por exemplo”. Sem perspectivas concretas para realizar uma próxima edição da mostra, João diz que a aquisição de recursos por meios que não os aportes públicos podem apoiar no sustento do espaço. “Recebemos diversas propostas internacionais de artistas da Holanda, Espanha, México, Uruguai e Argentina, por exemplo, mas ainda não temos condições de trazê-los”, conta João. Caso haja mudanças na realidade presente, ele não descarta criar um modelo expandido da mostra, com apresentações distribuídas durante um mês em vez de um final de semana.

Agenda

Sexta-feira, 23 de novembro/2018, 20h30

  • Taanteatro – Verbar
  • Mainá Santana e Thaís Diniz – A Atitude Manifesta do Controle
  • Núcleo Tentáculo (Liliane de Grammont) – Voyeur

Sábado, 24 de novembro/2018, 16h

  • Tea-time

Sábado, 24 de novembro/2018, 20h30

  • Andreia Nhur – Mulher Sem Fim
  • Núcleo EcoFeminista Animalista Veddas (Bruna Dias) – Somos todas Fêmeas
  • Núcleo Instantâneo (Camila Fersi) – Ofélia Territórios Movediços

Sábado, 24 de novembro/2018, 23h59 (Sessão Meia-Noite Olho Neles)

  • Maria Basulto – Dentro
  • Núcleo Instantâneo (Gabriela Jung) – Voadoras
  • Coletivo A Ovelha – A fuga do Bison: Deformação de percurso 

Domingo, 25 de novembro/2018, 16h

  • Cia Corpos Nômades  – Oficina Desmontando Desdêmona 

Domingo, 25 de novembro/2018, 19h30

  • Cia Corpos Nômades – Desmontando Desdêmona
  • Teatro X – Estiagem

 

Programação Completa 

Sexta-feira, 23 de novembro/2018, 20h30

 Taanteatro – Verbar:  Solo teatro-coreográfico de Mônica Cristina Bernardes, Verbar tem como disparador o sentimento de urgência em encontrar respostas frente às crises de sensibilidade, comunicação e sociabilidade na vida mega-urbana da era digital. Investiga tensões entre corpo feminino, tempo e mídia; entre temporalidades afetivas e velocidades racionalizadas, entre a experiência interior do corpo e suas representações sociais. Obra em processo, Verbar mergulha no desejo de uma atmosfera sutil, de se tornar imperceptível. Ficha Técnica: dança e criação: Mônica Cristina Bernardes. Orientação dramatúrgica: Wolfgang Pannek. Supervisão coreográfica: Maura Baiocchi. Edição de video e voz-off: Mônica Cristina Bernardes. Música: Arvo Pärt. Trilha sonora e captação de vídeo: Wolfgang Pannek. Cenografia: Wolfgang Pannek. Iluminação: Juliana Morimoto. Foto: Juliana Resan. Duração: 40 minutos. 

Mainá Santana  e Thaís Diniz – A Atitude Manifesta do Controle:
Como as relações de poder presentes na sociedade constroem e controlam os sujeitos? Partindo desse questionamento, os artistas criadores buscam gerar um universo poético inspirado na teoria do filósofo Michael Foucault sobre o tema. Em cena, por meio de jogos de movimento, gestos cotidianos e memórias pessoais e sociais, os corpos se modificam procurando entender como eles se relacionam com as tensões e a manutenção do mundo em que vivemos. Ficha Técnica:  Direção: Mainá Santana. Artistas criadores: Mainá Santana, Thaís Diniz e Willy Helm. Intérpretes: Mainá Santana e Thaís Diniz. Preparação corporal e provocação cênica: Willy Helm. Registro em vídeo: Mariana Molinos. Criação de luz: Rossana Boccia. Criação de arte sonora: Vagner Cruz e elenco. Cenografia: TRIO Design e Marcenaria. Artista Gráfico: Rafael Carrion. Produção administrativa e executiva: Cris Klein – Dionísio Produções. Foto: Fernanda Botelho.

Liliane de Grammont (Núcleo Tentáculo) – Voyeur: Aquele que espia (Voyer): dramaturgicamente baseada em desdobramentos do próprio voyeur em personagens e em mentalidades simbólicas, a obra propõe a instauração de estados a partir ‘do olhar’. Sua versão atual propõe uma abertura crítica em relação ao papel da mulher na sociedade e na própria obra revisitada. Ficha Técnica:  Direção e coreografia: Liliane de Grammont. Elenco: Carolina Verzolla, Lucas Oliva, Marilia Curtolo, Pietro Morgado, Rebeca Tadiello, Sabrina Ferreira  e Vinicius Cosant. Figurino: Bruna Fernandes. Iluminação: Raquel Balekian. Foto: Viana Fotos. Duração: 35 minutos. Contém: Referência à violência sexual.

 

Sábado, 24 de novembr/2018, 16h

Tea-Time – Encontro com os artistas envolvidos nesta edição da XI Mostra Lugar Nômade para conversar sobre os processos de criação e de inspiração artística.  Aberto para o público em geral. Lugar de reflexão regado a chá, café, bolo, biscoitos e ideias interessantes.

 

Sábado, 24 de novembro/2018, 20h30

Andreia Nhur – Mulher Sem Fim: É uma experiência solo de Andréia Nhur & Katharsis Teatro. O trabalho mostra um recorte da pesquisa da artista junto ao Grupo Katharsis Teatro nos últimos 12 anos, investigando forma e sentido com o agenciamentos do corpo em estados múltiplos e descontínuos. No espetáculo, o gênero-mulher é apresentado a partir de uma ideia de corpo constantemente trespassado por ecos de mulheres presentes nas memórias da cultura, que vão desde Madame Bovary, Lady Macbeth, Carmen Miranda até Dadá, a cangaceira. Este solo foi apresentado na Mostra Só Solos – 2017. Ficha Técnica: Texto, criação e performance: Andréia Nhur. Colaboradores: Janice Vieira, Paola Bertolini e Roberto Gill Camargo. Iluminação: Roberto Gill Camargo.  Produção, fotos e operação de luz: Paola Bertolini. Arte Gráfica: André Bertolini. Fotos: Danilo Batista e João Hidalgo. Duração: 35 minutos.

Bruna Dias *Núcleo EcoFeminista Animalista Veddas – Somos todas Fêmeas: Solo performance baseada no livro A política sexual da Carne, de Carol J. Adams. Como a matança de animais e a violência contra a mulher estão intrinsecamente ligadas? Muito além de pregar uma dieta sem carne é uma obra polêmica e provocadora que estimula reflexões e debates necessários para que se construa um mundo mais igualitário. Ficha Técnica: Criação e interpretação: Bruna Dias. Trilha Sonora: Luiz Roberto Bertonha e Bruna Dias. Videoarte e Foto: João Felipe Ferreira. Duração: 25 minutos.

Foto: Divulgação

Núcleo Instantâneo (Camila Fersi) - Ofélia Territórios Movediços

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  Núcleo Instantâneo (Camila Fersi) – Ofélia Territórios Movediços: Solo de dança que se inspira na personagem Ofélia, da peça Hamlet de Shakespeare, para refletir sobre o papel da mulher na sociedade e brincar com estados de corpo em movimento: sonho, loucura e amor. Busca comunicação estética entre virtual e real, espectador e artista, encenação e performance. Uma homenagem às tantas Ofélias deste mundo. Ficha Técnica: Concepção e criação: Camila Fersi. Assistência e provocação: Gabriela Jung e Monnica Emilio. Trilha Sonora: Divan Gattamorta. Desenho de luz: Raphael Cassou. Colaboração: Ariana Lorenzino, Ana Clara Amaral, Aldiane Dala Costa. Fotos: Carlene Cavalcante;

 

Sábado,  24 de novembr/2018, 23h59 (Sessão Meia-Noite Olho Neles)

Foto: Vanessa Moraes

Maria Basulto em Dentro

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  Maria Basulto – Dentro: Consiste na exposição do corpo-ansioso, movido por impulsos internos entregues a memórias e sensações irrequietas por vezes experienciadas. O corpo extrapola a compreensão do que é movimento, e a voz se faz presente do início ao fim na tentativa de contar o percurso do ciclo de uma crise qualquer. Enquanto roteiro, o trabalho possui uma ‘parábola’ bastante evidente, representando o ciclo de um acontecimento. O trabalho corporal gira em torno da investigação e intersecção de memórias, sensações e exercícios corporais pré-estabelecidos, bem como de uma melodia cantada incessantemente, enfatizando-se o uso da voz em dança. O canto nasce de um murmúrio sutil, cresce e se camufla em outras sonoridades. Ocorre, então, o caminho inverso. O movimento guia e é guiado pela voz. Ficha Técnica: Concepção, criação e interpretação: Maria Basulto. Trilha sonora (original): Pedro Destro e Thomaz Souza. Teaser: Leo Lin. 
Foto: Vanessa Moraes. Duração: 25 minutos.

Gabriela Jung (Núcleo Instantâneo) – Voadoras: Mulheres fabuladas e um passeio deslocado no universo da invenção dessas criaturas hostis. Histórias contadas pela dança de seres estranhos que trazem pelo corpo assuntos inquietantes. Ficha Técnica: Criação e atuação: Gabriela Jung. Orientação: Camila Fersi. Apoio: Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro e Casa 69. Fotos: Américo Junior.

Foto: Giorgio D’Onofrio

Coletivo A Ovelha: A Fuga do Bison

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  Coletivo A Ovelha – A fuga do Bison: Deformação de percurso: Relação reflexiva sobre as linhas e fronteiras entre teatro, performance e audiovisual, tendo o corpo do Bison como lugar transitório entre humano e animal agindo de modo unificado, em um exercício de ressignificação e contraposição de busca x fuga identitária. Ficha Técnica: Elenco: Alexandre Marchesini, Arthur Borges, Beatriz Correa, Jorge Ferreira. Sonoplastia: Daniel Garcia. Texto: Coletivo A Ovelha. Fotografias: Giorgio D’Onofrio. Duração: 50 minutos. Faixa etária: 18 anos.

 

Domingo, 25 de novembro/2018, 16h

Vivência com a Cia. Corpos Nômades, que envolverá o tema  do processo de  montagem inspirada na personagem Desdêmona, da peça de William Shakespeare Otelo, O Mouro de Veneza.  Neste encontro, que acontecerá das 16h às 18h,  os participantes da oficina iniciada em  outubro/2018 e os  novos inscritos, farão  um aquecimento-aula de corpo com João Andreazzi, improvisação direcionada à pesquisa e à criação, construção cênica deste corpo/intérprete. Esta oficina se direciona aos intérpretes/performers do teatro, da dança, performance, mulheres, homens, trans, enfim a todos os gêneros e cores. Número de vagas: 25 pessoas. Inscrição:Enviar um e-mail para ciacorposnomades@gmail.com, com uma breve carta de interesse, descrição de carreira e um link de vídeo de algum trabalho (caso houver).  Encaminhar até o dia 23/11/2018.

 

Domingo, 25 de novembro/2018, 19h30

Foto: João Andreazzi

Cia. Corpos Nômades: Desmontando Desdêmona

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  Cia. Corpos Nômades  – Desmontando Desdêmona: Trecho de um novo processo de montagem da Cia. Corpos Nômades, inspirado na personagem Desdêmona, da peça de William Shakespeare, Otelo, O Mouro de Veneza.  Tem como ponto de partida esta personagem, para acessar as sensações das decadências existenciais que se encontram no ciúmes, na maldade, no feminicídio, na inveja, na ingenuidade, no amor, no racismo, nas diferenças e  na ganância. Para construir um corpo/performer que passa por sessões  paranóicas, masoquistas e esquizofrênicas associando-se a substância trágica que brota desta ocupação versada no espaço e  no tempo. Ficha Técnica: Criação e direção: João Andreazzi. Intérprete/Performer: Rossana Boccia. Iluminação: Rox Lux. Cenário e figurino: Cia. Corpos Nômades. Foto: J. Andreazzi.

Teatro X – Estiagem: Baseado na obra de Rainer Maria Rilke, o espetáculo Estiagem é de  autoria de Victor Nóvoa. Rainer Maria Rilke é um dos mais importantes representantes do movimento simbolista do inicio do século 20 e escreveu cerca de 10 peças. Durante toda ação da peça, a princesa é incapaz de romper a espera e esta espera faz perdurar a circularidade de amanhã, de todo dia repetir-se a mesma cena, até o tempo da morte. Falta-lhe o impulso para se mover, para modificar o que a cerca, para acabar com o seu eterno imobilismo – o qual se torna uma questão disparadora  na recriação da  peça. Apoiada nessa criação sobre o sentimento contemporâneo das  expectativas  frustradas, numa  atmosfera  de  ruínas humanas, do ser e das coisas, Estiagem traz à tona a história de elípticas figuras náufragas, que buscam pôr fim á circularidade de suas vidas, para compreenderem e romperem com as raízes de seus privilégios. Ficha Ténica: Concepção: Jussara Bracco e Paulo Fabiano. Direção: Paulo Fabiano. Dramaturgia: Victor Nóvoa. Elenco: Jussara Bracco, Manfrini Fabretti, Carolina Bueno ou Gislaine Mendes e Airton Renô. Direção de arte: Ana Rita Bueno. Preparação de elenco: Lúcia Kakazu. Design de som: Ivan Silva. Design de luz: Tiê Fabiano. Fotografia: Felipe Longo. Produção: Telha de Vidro Produções. Duração: 50 minutos.

23 a 25 de novembro/2018
Sexta às 20h30
Sábado às 20h30 e 23h59
Domingo às 19h30
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Rua Augusta, 325, São Paulo (SP), tel. (11) 3237-3224.

Classificação etária: 14 anos.

Reservas de ingressos por telefone ou pelo e-mail ciacorposnomades@gmail.com.