Dois anos depois de estrear Apocrifu, em Bruxelas, Sidi Larbi volta ao DeSingel de Antuérpia com este espetáculo quase intimista, quando comparado às suas grandes produções (Foi, Origine, Sutra). Apenas dois outros bailarinos o acompanham. Musicalmente, a escolha do grupo de canto polifônico A Filetta, da Córsega, dá ao trabalho a grandiosidade à qual o coreógrafo acostumou seu público. A cenografia de Herman Sorgeloos, conhecido sobretudo como fotógrafo de dança, também contribui para esse aspecto: uma escada monumental é o único elemento no palco. Nada de inovador, mas eficiente e impressionante. Apocrifu talvez possa ser resumido nesses termos. O canto é belíssimo, a dança impressiona – Larbi continua elástico, virtuoso – e a dramaturgia clara, navegando nas ondas do relativismo como solução para as dicotomias ocidentais, dilemas religiosos, superioridade do espírito sobre o corpo. Ou seja, ingredientes de uma receita de sucesso, que não cessa de aumentar. O espetáculo está esgotado e as listas de espera abertas.
Peça: Apocrifu
Coreógrafo : Sidi Larbi Cherkaoui
Quando: 30 setembro / 1, 2, 3 outubro
Onde: De Singel / Antuérpia
Preço: 30 € / 25 €
De Singel – www.desingel.be
(Por Rodrigo Albea)
Obras-primas de Pina Bausch (1940-2009), em temporada histórica em SP. Leia crítica.
Leia também: Pina Bausch por Sônia Mota
Mais: Thanztheater volta ao Brasil em 2011
Robert Swinston, assistente do coreógrafo, fala da obra do mestre e sua preservação
LEIA MAIS: O legado de Cunningham
©2009 Todos os direitos reservados.
fri.to