Por: Ana Francisca Ponzio Foto: Divulgação
Aos 27 anos, a paulistana Vania Vaneau integra desde 2005 o elenco de uma das mais importantes companhias da dança contemporânea: a da coreógrafa francesa Maguy Marin. Entre os bailarinos que lá estão, alguns há mais de 20 anos, como o chileno Ulises Alvarez, Vania representa a nova geração. As diferentes faixas etárias, no entanto, não criam hierarquias no grupo de Marin, que sabe obter unidade a partir das diferenças de cada integrante.
Vania comenta que narcisismo não existe no grupo de Marin. “Para ela o intérprete tem que ter simplicidade, para encontrar a própria expressão”. A partir de setembro, quando os europeus retomam atividades depois das férias de verão, Vania recomeça uma rotina exigente, que inclui ensaios, apresentações, turnês. “Trabalhamos muito, a carga horária é pesada na companhia”, diz Vania, que diariamente se locomove do centro da cidade de Lyon, onde mora, para o subúrbio de Rillieux-la-Pape, onde fica o centro coreógrafico de Marin.
| Vania em May B |
| Foto: Flavia Lorenzi |
Filha de duas personalidades das artes cênicas do Brasil – a bailarina e coreógrafa Célia Gouvea e o diretor teatral e cenógrafo Maurice Vaneau – Vania pisou no palco muito antes de fazer aulas de dança. Aos sete anos, junto com a irmã Yara, participou de uma das criações coreográficas de Célia, Sapatas Fenólicas. Mais tarde, começou sua formação pelo balé clássico, teatro e também pelo circo. “Cheguei a fazer aulas no Circo Escola Picadeiro.”
Vania ainda era adolescente quando foi para a França em 1998 para acompanhar a mãe que, graças a uma bolsa de estudos, para lá se mudou temporariamente. “Terminei o colegial em Paris. Como os franceses exigem , desde cedo, que os alunos façam suas escolhas para um melhor encaminhamento nas áreas em que irão se formar, eu optei pela dança. Entre alguns cursos superiores que me chamaram atenção na época, escolhi a escola P.A.R.T.S.”, diz Vania.
Sediada em Bruxelas (Bélgica) e dirigida pela coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker, a P.A.R.T.S (Performing Arts Research and Training Studios, www.parts.be) é uma escola onde a dança não é praticada como arte isolada, mas em constante diálogo com outras artes peformáticas, principalmente a música e o teatro. Em suas escolhas, Vania demonstra a influência de sua mãe que, na década de 1970, estudou no Mudra, a escola multidisciplinar fundada por Maurice Béjart, também na capital belga, onde Célia Gouvêa conheceu Maguy Marin.
Antes de ingressar na companhia francesa na qual trabalha atualmente, Vania teve outras experiências que ela considera importantes para sua evolução. Uma delas foi a turnê de um ano com o grupo belga Ultima Vez, do coreógrafo Wim Vandekeybus, como integrante do elenco de uma montagem especial do espetáculo Les Porteuses de Mauvaises Nouvelles. Depois, por meio de uma bolsa de estudos do projeto DanceWEB, participou de um programa de estudos de cinco semanas, que ocorre anualmente durante o ImPulsTanz Festival, em Viena, Áustria. Na ocasião, teve aulas com coreógrafos como David Zambrano e Benoît Lachambre. Ainda nessa época, chegou a realizar uma criação coreográfica com o namorado, Jordi Gali, que também dança no grupo de Marin.
| Vania em May B |
| Foto: Flavia Lorenzi |
As pesquisas sobre a linguagem de vídeo e improvisação, que gosta de desenvolver, ela nem sempre consegue manter constantemente durante as atividades na companhia Maguy Marin. Desde que entrou no grupo, Vania faz parte de quatro produções do repertório da coreógrafa, que ficam em permanente apresentação: Ha-Ha, Umwelt (mostrado no Brasil em 2008), Turba, o recente Description d’um Combat, além de May B, concebido em 1981 e considerado uma obra-prima de Marin. Dançar tais espetáculos, por si, confere privilégio especial à carreira de qualquer bailarino. Contudo, apesar do status profissional que desfruta no momento, Vania não quer perder os vínculos com o Brasil. Acredita que no país natal há uma energia artística singular e que a dança brasileira ainda ocupará um lugar mais expressivo no mundo. “Quero cultivar laços com meu país”, ela diz, preparando-se para a intensa jornada de apresentações durante o segundo semestre de 2009.
To adorando... mas to sentindo algo não sei o q ainda, se me permite... bj grande p ti Ana!!
Ana, Parabens pela iniciativa , tão original, bem feita e atual. Gostei muito do artigo sobre a Vânia, ilustrado com boas fotos. Desejo muita longevidade a este ótimo projeto. Abraço, Célia
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