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Sônia Mota assume direção da Cia. de Dança Palácio das Artes

Foto: Divulgação

Sônia Mota, bailarina, coreógrafa e professora brasileira que desde 1989 vive na Alemanha, acaba de ser nomeada diretora artística da Cia. de Dança Palácio das Artes, de Belo Horizonte. O grupo, fundado em 1971, é um dos corpos estáveis da Fundação Clóvis Salgado, mantida pela Secretaria Estadual da Cultura de Minas Gerais. Sônia substitui Cristina Machado, que continua na instituição, gerenciando as suas produções artísticas.

“É uma volta para ficar, mas sem deixar a Alemanha”, afirma Sônia. “Deixei portas abertas por lá, que estarão prontas para receber o resultado de minhas criações brasileiras. Sempre foi minha intenção criar uma ponte entre Brasil e Alemanha.”

Para Sônia, a direção da companhia mineira é um novo desafio. “Significa a possibilidade de aplicar meus 45 anos de experiência em dança, numa função que ainda não pratiquei e que, acredito, chegou a hora de experimentar. Acho que esse convite veio na hora certa, no tempo certo, na idade certa”, ela diz.

Em 2009, a convite de Cristina Machado, Sônia criou para a Cia. de Dança Palácio das Artes o espetáculo 22 Segredos. A convivência com o elenco serviu de “aquecimento” para a nova função. “Não pretendo mudar nada na companhia e sim aprofundar e ampliar o que tem sido feito nos últimos cinco anos. Vou dar continuidade à reestruturação que Cristina Machado implantou. Ou seja, quero manter uma companhia que cria e dança suas própria questões e não somente aquelas dos coreógrafos vindos de fora. Pretendo fortalecer o perfil desse grupo que integra diferenças e que mantém a contemporaneidade para seguir se transformando com os tempos.”

Nascida em São Paulo em 1948, Sônia se destacou num período efervescente da dança na capital paulista. Depois de trabalhar na Bélgica, onde foi solista do Ballet Real de Antuérpia de 1970 a 1974, ela foi convidada para ingressar no Balé da Cidade de São Paulo (BCSP), durante a fase de renovação da companhia. No BCSP permaneceu até 1989, sendo que nesse período dançou criações marcantes, assinadas por coreógrafos como Oscar Araiz, Lia Robato, Victor Navarro, Antonio Carlos Cardoso e Luis Arrieta.

Entre 1975 e 1980 viajou regularmente para os Estados Unidos, para treinar na companhia de dança de Louis Falco, discípulo de José Limon (ambos personalidades importantes da dança moderna norte-americana). Em 1976, a convite de Marilena Ansaldi, começou a dar aulas no Teatro da Dança, situado na Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. Entre 1980 e 1985, paralelamente às atividades de professora e bailarina, passou a atuar como coreógrafa. Nesse período, recebeu os prêmios Governador do Estado e APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes), como melhor bailarina.

Em 1985 foi convidada para dar aulas na companhia de dança da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal. Em seguida, recebeu convites para ensinar também em várias cidades européias, como Viena, Colônia, Tristre, Madrid, Basiléia e Liubliana. Em 1989, foi convidada para dirigir o departamento de dança contemporânea do Tanzprojekte Köln (em Colônia, Alemanha). A partir de então, Sônia passou a ministrar seu método de ensino – denominado Arte da Presença – em diversas escolas de formação profissional e em companhias de dança alemãs.

Entre 1992 e 2004, atuou como dançarina e coreógrafa na Alemanha e Brasil. Em 1998, participou da ópera contemporânea Raw, de Paulo Chagas, sob direção de Gerald Thomas, em Bonn. Muçul-Humana, primeira parte de uma trilogia sobre a condição feminina, estreou em 2004, no Festival Hautnah, em Colônia. No mesmo evento apresentou, no ano seguinte, o solo Vi-Vidas, cuja estreia em São Paulo, em 2006, rendeu-lhe o prêmio Bravo! Prime de Cultura, de melhor espetáculo daquele ano.

De agora em diante, no Palácio das Artes, Sônia deve encontrar um clima de colaboração. Foi a própria Cristina Machado que a convidou para dirigir a companhia de dança. Cristina ingressou na instituição há 20 anos: na primeira década foi bailarina do grupo, para em seguida tornar-se sua diretora. “Sônia é madura, experiente, já integrou grandes companhias de dança e acabou de estrear o espetáculo 22 Segredos no final de 2009, para o grupo. Ela possui, portanto, informações bem atuais de cada bailarino e de nosso momento artístico e institucional”, diz Cristina.

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